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terça-feira, 9 de março de 2010

Terceira parte – Perdão Capítulo I



Terceira parte – O Perdão


 Capítulo I

Joice suspira cansada. “Maldito trânsito caótico. Isso não é coisa de Deus!”
- Seu filho da puta desgraçado!!!!!! Volta pra autoescola!!! Grita ao ter seu carro fechado por outro carro cujo motorista simplesmente põe o dedo pra fora e lhe manda a merda.
- Eu mereço... eu mereço... EU MEREÇO!!!!!
- Mãezinha... respira fundo.
Joyce olha o filho pelo espelho retrovisor.
- Tô respirando – Puxa o ar quase com violência.
- Mãe... o filho da puta desgraçado tá do seu lado - o outro gêmeo aponta o vidro a sua esquerda.
Joyce abre o vidro indignada.
- Como ousa mostrar o dedo com meus filhos vendo???? Quem pensa que é seu polha??? Além de dirigir mal ainda vem ensinar coisas erradas a crianças??
- Eu??? Eu dona? Você que é uma desbocada! Acha mesmo que não ouvi o que disse? Melhor calar essa matraca ou vou te dar uns bons tapas!
- Ah é??? AH É??? Então vem desgraçado!
Joyce puxa o freio de mão e sai do carro enfurecida.
- Tá louca dona??? Você só pode ser louca! Quero ver o dia que um Mané te der um tiro na cara. Ai você vai ver. – E arranca o carro quase passando por cima do pé de Jô.
Joyce volta pro carro vermelha.
- Mãe...
- Uma palavra sobre isso lá em casa e vocês nem ciscarão perto da televisão entendido?
Os gêmeos recostam no banco do carro com olhos arregalados e silenciam. ‘ O louco que mexo com mamãe desse jeito!’
Joyce suspira tentando se acalmar. Nem mesmo ela entendia porque andava tão nervosa estes dias. Tudo estava bem em casa, no trabalho, com Juliana. Sua vida corria tranquila. No entanto sentia uma inquietação inexplicável dentro de si.
‘ Respira Jô. Está tudo bem... tudo bem’
- Porraaaaa, de transito de merda!!!! Envia a mão na buzina e olha os filhos enfurecida pelo espelho retrovisor.
- E ai de vocês se falarem qualquer palavrão lá em casa ou em qualquer lugar! Vou lavar suas bocas com sabão, entendido!
Os gêmeos só fazem um gesto afirmativo com a cabeça. Vendo que a mãe volta a atenção ao transito, Luiz sussurra baixinho no ouvido do irmão.
- Putz! Imagina só o tanto de sabão que a vó gastou com a mãe...


Mariana caminha distraída pelo campus da faculdade. Passa a mão nos belos cabelos negros e olha o céu. ‘ Lindo dia... canseira’
- Ihuuuu!!!
Mari grita ao sentir mãos em sua cintura e o grito perto do ouvido.
- Deus meu!!!! Droga Sheila, precisa me assustar desse jeito?
- Claro amore mio. Adoro sua carinha de susto
Beija o lindo rosto moreno.
- Porque estava tão pensativa?
 Mari olha amiga pensativa.
- Não sei... sabe quando você acorda com a certeza que algo muito drástico vai acontecer em sua vida que vai mudá-la para sempre?
- Sinceramente... não sei.  E ri divertida. – Mas se acontecer firmeza. Olha miguxa, hoje a turma vai sair à noite naquele barzinho que abriram na Contorno. Quer ir?
- O GLS?
- Isso aí.
- Sheila... – Mari para e se vira para a amiga – Você não tem medo que as pessoas comentem de você?  Você dá muito na cara suas preferências.
- Mari... – Sheila a olha agora seria. – Eu não preciso dar satisfação à sociedade, na boa. Vou vivendo minha vida sem me meter com quem me hostiliza. E vou levando tranquilo. Mas é um barzinho legal. Você vai adorar. Vai eu, a Carlinha, o Edson e Thiago.
- Credo ainda vou fazer vela?? Me poupa amiga.
- Mari, você já se olhou no espelho??? Nunca fará vela. Vai chover mulher para você lá.
- E quem disse que quero mulher?
- Amore, quando provar o sabor de uma mulher nunca mais vai querer... a outra coisa.
‘ Lisa... ’
- Mari?? Mari?
Mari desperta de seu pensamento e vê a mão da amiga abanar a sua frente.
- Ei, você viajou legal hem? Pensou em quem?
- Porque acha que pensei em alguém?
- Seu olhar amiga... Ficou tão... doce... iluminado... quem é?
- Na verdade pensei na filha de minha madrinha... adoro ela. – Olha a amiga de lado – ela é lésbica.
Sheila a olha em silencio. Sorri levemente, coloca o braço sobre o da amiga e volta a caminhar.
- Legal... se foi ela que fez você aprender a ver todas as pessoas, respeitando-as em suas diferenças, ela já tem meu bem querer.
As amigas caminham em silencio. Sheila olha Mari discretamente. Nunca esqueceria o dia que Mari conversara com ela a primeira vez.
Na época ela, mais uma vez, tentava ignorar a maledicência de um grupo da sala que adorava provocá-la. Era fim da aula de informática e a maioria dos alunos já haviam se retirado.

- Aê garota, você até que é gatinha. O que te falta é um bom pinto sabia?
- Usa cueca machinha? Vamos bater uma queda de braço?
- Nem ousa olhar pra mim sua sapata! Eu curto é homem! Gente, só dela me olhar ate arrepio de nojo! Credo!
- Aê galera! Que tal a levarmos ali pro canto e mostrar pra ela um pouco do gostoso da vida?’
Sheila tentava ignorar as risadas. É nesta hora um dos rapazes a puxa pelo braço e ela finalmente reage.
- Tire a mão de mim!
- Olha só! Tá bravinha! Vai me bater é? Pois vamos ver se consegue. O rapaz a agarra, desta vez forçando seu corpo junto ao dele e esfregando seu membro nela.
- Vê... é disso que precisa. Vou te dar uma amostra.
Sheila sente o suor na testa. Todos os presentes riam e se divertiam com a cena. Já em desespero, impotente e sem conseguir se desvencilhar do rapaz escuta uma voz forte soar acima das risadas.
- Solta ela agora.
Todos se voltam para a porta. A bela, como Mariana era chamada no prédio que estudavam na UFMG, olhava indignada a postura dos jovens para com a outra colega.
- Que isso bela? Defendendo sapata agora?
- Eu disse. Solta ela.
Ainda rindo, o rapaz solta Sheila.
- Que isso! Só estávamos brincando um pouco com a Sheila. Né gatinha? E olha irônico a jovem.
Mariana se aproxima de Sheila e passa a mão por seu ombro. Lança lhe um olhar confortador e logo depois se vira para o grupo.
- Continuem com estas brincadeiras idiotas e levarei o caso à reitoria. Quero ver esse risinho ridículo na cara de cada um de vocês quando os denunciar por homofobia.
- Que isso Mari! Tá doida! Era só uma brincadeira!
- Vamos continuar a brincadeira na Reitoria uai. Vai ser legal não acha... Sheila?
Sheila olha o belo espécime feminino a sua frente. Nunca antes Mariana lhe dirigira a palavra. Era um semestre a frente dela no curso. Na verdade ela sempre a cumprimentava com uma olhar simpático, mas só.
- Eu... Bom... adoraria Mari. Acredito que todos vão curtir muito.
A muito a turma parara de rir. No começo, surpreendidos de ver o objeto de desejo dos rapazes defendendo a sapata, emudeceram. Agora já estavam assustados.
- Que isso Mariana! Nada a ver. Credo vocês não sabem levar uma brincadeira na boa.
- Cala a boca Laís. Você é uma iludida de achar que uma mulher com a Sheila ia olhar pra você.
- Não acredito! Você é sapata Mari? Laís ironiza Mariana. e se vira para os rapazes agora calados – Vai ver é por isso que ignora vocês seus babacas. Taí a resposta.
Ignorando a frase de Laís, Mari segura a mão de Sheila e juntas se retiram da sala.
Já no pátio se vira para a jovem.
- Quanto tempo isso anda acontecendo?
- Ihh! Já perdi a conta.
- Devia denunciar. Eu não ficaria calada.
- Você é lésbica?
Mariana a olha séria.
- Uma pessoa que amo muito é. E desde pequena acompanho a maldade das pessoas para com ela, inclusive dos meus pais.
Ignorando a pequena decepção que sentiu, Sheila sorri.
- Bom... pois acaba de ganhar a fama.
- Nem ligo – Mariana ri jogando os longos cabelos negros para traz. - Mas por via das duvidas e para eu não dar fora, me conta como devo me portar sendo lésbica.
Os olhos verdes brilhavam divertidos. Surgia ali o inicio de uma amizade.

Voltando o presente, Sheila observa a amiga pensativa. Nunca Mariana se importara com os boatos que surgiram depois disso. Simplesmente os ignorava. Sua beleza sempre atraia as pessoas, principalmente os rapazes que tentavam lhe chamar a atenção, mas ela, apesar de muito educada e simpática, não incentivava nenhuma aproximação. Sheila se sentia ‘a privilegiada’.
Sempre quisera saber quem era a lésbica que ela amava desde criança. Agora sabia. Na verdade sentia que havia algo muito maior ali. Tinha certeza disso. Mas Mariana era muito fechada em seus sentimentos. No momento a única certeza que tinha é que Mariana não se envolvia com ninguém, seja homem ou mulher.
Bom, se um dia ela quisesse falar mais sobre isso ela estaria ali.
- Mas e aí? Vamos ao barzinho? Prometo te defender das garras femininas que surgirem.

A noite estava linda. Juliana sorrindo passa o braço sobre o ombro da amante.
- Menina, que noite maravilhosa!
Se vira sorrindo para a morena e beija-lhe os lábios sequiosa.
- Quer dormir lá em casa? A mulher está viajando.
- Pô Ju... Sempre me pede o impossível. Sabe que hoje o Carlos vai estar em casa.
- Ai, que saco namorar mulher casada!
- Sei... até parece que você não é casada.
- Detalhes... detalhes. Sorri para a morena safada. – Adoro este barzinho. Podemos namorar a vontade aqui dentro.
- É...
Jô olha para os lados. Casais homossexuais trocavam beijos e carinhos sem constrangimento. Era maravilhoso um lugar onde podiam expressar livremente os sentimentos. Olha para a entrada onde seguranças mantinham a ordem do ambiente.
Mantinha já há quase um ano o romance com Juliana. Tudo conveniente e prazeroso. Tinha seu casamento, seus filhos e agora uma bonita mulher que lhe satisfazia o lado sexual sem expô-la a sociedade.
Olha novamente a companheira já com um sorriso safado no rosto.
- Mas nada me impede de ir a um motel... Topa?
Mas Juliana observava com grande interesse a porta do barzinho. Séria e um pouco assustada se volta para Joyce.
- Querida... ou sua filha tem uma sósia ou ela acaba de entrar.
- Como? O que disse?
Rapidamente Jô volta o olhar para a entrada do bar.  O suor brota em sua testa e começa a tremer em pânico.
- Meu Deus... Meu Deus... JU me ajuda!!! Meu Deus... é Mariana!!
- Calma Jô... respira - entrega o cardápio para a morena. – Esconde
 Tensa Joyce nem respirava.
‘ Como vou sair daqui?  Eu sabia! Sabia que algo ia acontecer! Ai aiai... me tira desta senhor’
Juliana observa a jovem morena caminhar entre as mesas e se sentar com amigos em uma mesinha mais ao fundo do restaurante de costas para elas.
- Joyce me escute. Sua filha sentou de costas para nós. Vamos deixar passar uns minutos e você sai lá para fora. Deixa que eu pago a conta.
- Ok...
Passado os minutos cutuca Jô que imediatamente se levanta meio desequilibrada e caminha rapidamente para a saída. Juliana ainda permanece alguns minutos na mesa observando melhor a filha da amante. Já a vira por fotos, mas não a imaginara tão linda pessoalmente. Parecia muito com a mãe, mas com uma energia mais calma e uma postura mais suave. Elas se pareciam muito fisicamente, mas ao mesmo tempo eram diferentes... muito diferentes. De uma forma que não sabia explicar. Levanta-se tranquila e caminha em direção ao caixa onde efetua o pagamento. Em direção a saída passa pela mesa de Mariana que a olha diretamente nos olhos. Juliana sente-se oscilar ligeiramente. Os belos olhos verdes a analisam com frieza e curiosidade.
‘ Impossível ela ter visto alguma coisa’ Olha rapidamente para trás e vê o espelho posicionado mais à lateral de onde se encontrava. Volta rapidamente o olhar à jovem que agora a olhava com o olhar ainda mais duro. ‘ Não... impossível ela ter visto’
Dirige-se rapidamente para a saída e vai ao encontro de Joyce.
- Ela viu algo??? Você acha que ela viu algo? Ju pelo amor de Deus me diz!
- Calma Jô... vamos embora – segura a amante delicadamente pelo cotovelo e a direciona em direção ao carro. – Ela esta super entretida com os amigos. Não viu nada.
As duas entram em silêncio no carro.
- Meu Deus... que sufoco!! Que desespero. Nunca imaginei Mariana ali... que sufoco Ju... Mariana se me pega eu... Pera aí!!!! – Jô se vira repentinamente para Juliana – O que Mariana faz num bar gay?????  Porque ela está lá??? Como ela esta lá???   - Passa as mãos nos cabelos. – Eu mato aquela menina!
- Joyce acalma! Você não vai matar ninguém! Você não a viu entendeu! Ela nem pode sonhar que você estava ali. Além que este bar é GLS. Para simpatizantes também. E eu vi claramente que ela acompanha os amigos e só. Não estava com ninguém ok.
Joyce sentia o coração voltar ao normal. Que sufoco!
- Nossa Ju... essa foi por pouco. Olha só – mostra as mãos – estou tremendo até agora.
Juliana sorri também mais calma. Preferia ignorar a incerteza de que Mariana as vira.
- Foi um sufoco mesmo.  você segurou bem a onda.  Mas sei onde você pode relaxar de vez.
E sorri direcionando o carro a caminho de um motel

Mariana sentia um frio inexplicável dentro de si. Ainda não conseguia acreditar no que acontecera.  Começa a tremer e segura inesperadamente a mãos da amiga
- Tudo bem Mari? Você tá fria!
- Sheila... eu... preciso embora.
- Que aconteceu???
- Olha... eu preciso embora. Desculpe.
Levanta-se e despede dos outros jovens que a olham sem nada entender. Volta o olhar para o espelho a sua frente de onde vislumbrava o ambiente rústico do bar, inclusive a mesa antes ocupada por duas belas mulheres. Uma delas a sua mãe.
Caminha meio cega pelas mesas e acena para um taxi. Queria dormir... Ignorar o que vira. Mas sabia ser impossível. Sua mente borbulhava. Angustiada sente a garganta se fechar e aperta os olhos fortemente.
‘ Meu Deus... Minha mãe é lésbica!’

"Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro."
Clarice Lispector

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Capítulo XXII – Final da 2ª Parte (AMOR)


Lisa sente um aperto no coração. Segura o peito angustiada e corre para o telefone. Liga diversas vezes para o celular de Luiza. ‘Lu atende!’
O suor começa a brotar em sua testa. Olha para os lados do consultório e caminha ansiosa até a recepção. Observa o movimento no saguão e volta ainda mais agitada para sua sala. Algo acontecera a Luiza. Ela sabia! Segura a cabeça tentando aliviar a pressão sobre a mesma e novamente corre a recepção.
- Marcela, por favor, pode ligar para o hotel que Luiza se hospedou e ver se ela já saiu de lá?
- Pois não Doutora Lisa. Um minuto.
Lisa espera ansiosa a ligação se completar.
- Como? Já saiu? Pode me dizer a quanto tempo. Onze horas? – Olha para o relógio de pulso. Meio dia. - Ok, obrigada.
Desliga o telefone nervosa.
- Doutora... acontece alguma coisa?
- Não... Não sei... eu... bom obrigada Marcela.
Lisa mais uma vez retorna ao consultório. Apoia as mãos sobre a mesa e respira fundo. ‘Calma Lisa, está tudo bem, está tudo bem. Não aconteceu nada a Lu. É tudo coisa de sua cabeça. ’
Retoma suas tarefas na clínica tentando ignorar o aperto que não saia de seu peito. Já passava das três horas quando, sem conseguir mais conter a angustia, volta a ligar para o celular de Luiza. Não consegue esconder a surpresa ao ver a ligação ser atendida por uma voz masculina.
- Alo? Quem fala?
- Com quem estou falando?
- Senhora... meu nome é Pedro... sou médico... a senhora é parente de Luiza Stanley?
- Eu... –Lisa sente como se uma mão esmagasse seu coração – Aconteceu algo a Luiza??
- Senhora...
- Pelo amor de Deus!!! Eu sou a esposa dela! Responde! Aconteceu algo a Luiza?
- Senhora... - O médico tenta esconder a surpresa ante a informação dada e devido à mesma não busca maiores esclarecimentos sobre a pessoa do outro lado da linha - Ela teve um acidente. O carro em que estava foi atingido por um caminhão e... infelizmente nada podemos fazer por ela.
- NÃO!!!!!
 O grito ecoa pela clinica. Roberto pula assustado da cadeira e junto com outros médicos corre à sala de Lisa. A encontram em prantos inclinada sobre a mesa. Enquanto alguns colegas buscavam ampará-la Roberto pega o celular ainda ligado.
- Alô. Aqui é o Doutor Roberto Brumont da Clinica Avencar. Com quem eu falo?
Em silencio escuta as palavras do outro lado da linha. Após alguns minutos, sério e contrito desliga o telefone. Arrasado olha os colegas de trabalho, especialmente Lisa que apoiada sobre os amigos, mantinha a cabeça baixa numa postura de total derrota.
- A Doutora Luiza sofreu um acidente.
Todos se olham assustados. Lisa começa a soluçar angustiada.
- Ela... não resistiu aos ferimentos. Lisa... filha.
- Não... não... não...
Roberto olha um pouco perdido o desespero da amiga. Com um gesto discreto acena para que Jairo o acompanhe.
- Providenciarei para que a família seja avisada e depois irei para Curitiba. Não deixem Lisa sozinha.
- Tudo bem... Tranquilize, eu cuido de tudo por aqui.
Jairo retorna ao consultório e arrasado ampara Lisa. Como todos na clínica, sabia do envolvimento de Luiza e Lisa e aceitava com naturalidade o amor de ambas. ‘ Por que meu Deus? Porque fez isso com Luiza? Porque fez isso com Lisa?’
Balança a cabeça inconformado. ‘Porque a vida tinha que ser tão injusta?’

‘Finalmente em casa’
Joyce sai do carro e verifica a caixa de correio. Pega as cartas e caminha em direção a porta verificando as mesmas. Para ligeiramente ao segurar um envelope pardo. ‘Lisa...’. Vira a carta e olha o destinatário. Mariana. Nota então outro envelope parecido e o pega. Este era para si. Abre-o e arregala os olhos ao ver o Cartão Postal. ‘ Uau! Índia!’ Vira o mesmo e lê a pequena dedicatória.

Jô, a Índia é simplesmente maravilhosa com seu passado esplendoroso e seu povo hospitaleiro. Jamais vi um país tão místico.
Dê beijos a todos.
Com carinho Lisa.

Com um suave sorriso entra em casa e vê Carlos e os meninos assistindo televisão.
- Boa noite galera.
- Boa noite mãe. - Rick e Luiz nem tiram os olhos do aparelho.
Carlos abaixa os óculos e sorri educado para ela.
- Boa noite Jô. Tranquilo o dia?
- Até que foi Carlos. Ainda bem. Quero distancia de problemas. Bom vou por uma roupa mais confortável. – Sorri e sobe a escada. No caminho olha novamente o pequeno Cartão Postal. ‘ Até quando Lisa continuará sua fuga pelo mundo?’ Suspira um tanto triste e toca levemente o coração. ‘Lisa... ’
Entra no quarto de Mariana e deposita suas correspondências na cômoda. Distraidamente olha o quarto da filha. Um ambiente moderno com cores fortes. Passa as mãos no cabelo e sai do quarto, com os pensamentos agora voltados para a filha. Desde que esta soubera da tragédia que se abatera sobre a vida de Lisa mudara radicalmente seu modo de ser. O ar adolescente sumira de seu rosto, dando espaço a uma expressão mais compenetrada e séria. Terminara o namoro e passara a se dedicar com afinco aos estudos. Iniciara um curso web designer e logo conseguira estágio em uma empresa bem conceituada no mercado. Logo fora contratada por sua dedicação e envolvimento com o trabalho. Atualmente fazia Faculdade de Engenharia da Computação. Um motivo de grande orgulho para Carlos e Joyce. E também de grande preocupação. Mariana que completara 18 anos a alguns meses, nunca mais trouxera nenhum pretendente em casa. Os padrinhos Marcos e Paula às vezes brincavam dizendo que era porque ela havia puxado o gênio de Joyce. Mas o motivo real somente Mariana o podia dizer. E isso ela jamais diria.
Era como se a morte de Luiza a tivesse afetado tanto quando a Lisa.
- Mariana... filha... - sussurra Joyce baixinho.
- Joyce? Tudo bem?
Jô é interrompida de seus pensamentos por Carlos.
- Está sim Carlos. Por quê?
- Está muito séria só isso. – Carlos a abraça carinhoso.
Joyce retribui o abraço com afeto. A relação dos dois já há alguns meses melhorara bastante. Tudo caíra numa rotina cômoda, agradável e conveniente a ambos.
- Jô, estou pensando em levar os meninos para comer um sanduíche. Vem conosco?
- Hum Carlos – Joyce torce o rosto. – se não se importa prefiro ficar em casa e tomar um bom banho. Não fica chateado?
- Não, eu calculei mesmo que não ia querer ir. Deixe-me ir então. Até mais tarde.
- Até Carlos.
Jô ao ouvir o som da porta de entrada abrir e depois fechar, imediatamente pega o telefone e disca um numero.
- Alo?
- Juliana? É Joyce.
- Ei querida! Tudo bem?
- Está sim. Olha, amanhã consegui a tarde livre. Acha que pode se encontrar comigo?
- Hum... acho que sim. Vou ver se consigo uma folga. Te ligo confirmando ok.
- Ok... está tudo bem?
- Está sim Jô. Márcia andou tendo as velhas crises de ciúmes, mas agora já está tudo bem.
Joyce franze a testa preocupada.
- Acha que ela desconfia de alguma coisa?
- Acho não querida, tenho certeza. Mas desde o inicio ela aceitou termos um relacionamento aberto. Está comigo totalmente ciente disso. Não vou mudar. E você tudo bem?
- Ótimo. Carlos saiu com os meninos e a casa está um sossego. Vou aproveitar para tomar um banho bem demorado.
- Hum... pena não poder estar com você. Ia adorar te dar este banho.
- Sei senhorita Juliana! Ate parece que seria só um banho. Bom deixe-me ir. Beijos querida.
- Beijos Jô.

Mariana suspira e solta os objetos sobre a cama. O dia fora exaustivo. ‘Preguiça de ir a Faculdade’. Caminha em direção a cômoda e vê a correspondência. Pega-as sem grande interesse até ver o envelope pardo com a letra familiar.
- Lisa!
Senta-se na cama e abre o envelope ansiosa. Era da Índia. O cartão postal mostra uma
linda imagem do Taj Mahal.

Nota da autora:
O Taj Mahal, uma das construções mais perfeitas da Terra, é um memorial eterno projetado por um líder indiano em homenagem a seu amor perdido. Essa pérola da arquitetura concebida em mármore foi descrita pelo poeta Rabindranath Tagore como "uma lágrima no rosto da eternidade" e, por isso mesmo, é impossível ser traduzida apenas em palavras.

Abre a carta e a lê com um sorriso nos lábios. Lisa descrevia em tom inebriante as cidades pelo qual passara e as pessoas que conhecera.

Mari é tão linda a forma de pensar indiana. Suas crenças, sua diversidade, tudo é fascinante.
Sabe o que mais me fascinou?
A flor de lótus. Pois é feiticeira, para os indianos esta flor, devido ao fato de crescer na água pantanosa e não ser afetada por ela representa que devemos ficar acima do mundo material apesar de viver nele. E suas centenas de pétalas representam a cultura da "unidade na diversidade” Ela é o símbolo da expansão espiritual, do sagrado, do puro. Na minha humilde visão ela simboliza o amor universal... tão verdadeiro quanto eterno. Não é lindo?
Mas o mais perfeito na Índia é sua filosofia. Para os indianos a vida é um eterno retorno, que gravita em ciclos concêntricos terminando no seu centro, coisa que os iluminados atingem. Os percalços do caminho não são motivo de raiva , assim como os erros não são uma questão de pecado , mas sim uma questão de imaturidade da alma.
Ah Mari!! Eu poderia te contar muito mais coisas (principalmente porque sei que é espírita e crê em reencarnação e vidas passadas), mas acredito ser melhor termos esta conversa pessoalmente.
Beijos cheios de saudade.
Com amor
Lisa
 
O fim da carta deixa Mariana comovida. Leva esta aos lábios, beija-a e a coloca sobre o coração. Sentira nas palavras de Lisa um sentimento diferente... de alegria... de tranqüilidade e aceitação. ‘ Deus tomara que eu esteja certa’.

Lisa caminha entre as árvores respirando o ar puro e fresco da tarde fria. Ao avistar a lápide que buscava prende a respiração e se aproxima. Devagar se ajoelha e passa a mão sobre o nome impresso. ‘Lu... ’ Lágrimas silenciosas caem de seus olhos.
Ergue o olhar para o céu e observa o suave entardecer. Já se passara mais de um ano que sua amada partira. Um ano de fugas e descobertas.
Presa ao sofrimento de perder Luiza vendera todos os bens conquistados, pegara suas economias e partira para uma viagem sem destino. Tudo que queria era esquecer, fugir, sufocar a angustia de seu peito. Deus para ela não mais existia. Mas os meses passavam lentos e sua dor não diminuía.
É quando em Portugal, conhece um casal idoso que mora na Índia e cuja mulher era brasileira. A amizade surge fácil e logo eles lhe falam sobre a vida, a morte, o amor e o perdão. Lisa bebe as palavras que caiam como bálsamos em suas feridas. Não percebe que aos poucos a oração volta a seus lábios e o coração, antes fechado em sua dor, se acalenta com a certeza que Luiza estava bem.
Após dias de convivência, o casal se despede da jovem solitária, não sem antes deixar o endereço para que ela os visite e passe uns dias na Índia. Lisa então continua sua viagem pela Europa. Vagarosamente começa a perceber a beleza da natureza e a historicidade dos povos por onde passa. O belo se faz presente e logo ela começa a mandar cartões postais às pessoas amadas. Aos poucos, talvez por ainda sentir dentro de si o carinho sempre sincero de Mari e sua natural curiosidade sobre tudo e todos, começa a descrever nas cartas direcionadas a ela, suas impressões e opiniões diversas. Manda também pequenas mensagens a Joyce numa clara demonstração que o passado ficara para trás.
Quando enfim decide conhecer a Índia, busca novamente o calor do casal amigo que, com grande alegria, a recebe em seu lar. São meses de aprendizado e cura de sua alma.
Inicialmente constrangida por abusar da hospitalidade dos novos amigos, logo Lisa se adapta a nova cultura e ambiente familiar. Os jovens eram festivos e alegres e logo a incluem em todas as festividades locais. Suavemente o sorriso volta aos lábios de Lisa e uma paz toma conta de todo seu ser.
Estava pronta para voltar para casa.·.
Lisa volta novamente o olhar ao túmulo onde estava enterrada sua amada.
- Lu... amor. Desculpe a demora em vir vê-la. – Novamente alisa a fria pedra de mármore. – Você, mais do que ninguém sabe que não lido bem com a dor. – Suspira tristemente – Sabe... desde que você partiu eu me vi sem chão, numa completa escuridão. A vida para mim perdeu todo o sentido, nada mais me interessava. Tudo que queria era seus braços em volta de mim... seus beijos, seus carinhos. Então parti. Parti para longe de tudo. Longe de você, amigos, família... tudo! - Suspira mais uma vez - O que eu não percebi amor, é que aonde eu ia, levava você comigo. Mas não levava o seu melhor. Levava somente a dor de sua perda, a tristeza de não tê-la mais a meu lado. Como fui burra!!! – Ri baixinho – Posso ouvi-la dizer isso Lu! Mas entenda amor! Doeu demais te perder. – Balança a cabeça desalentada - E foi com toda essa dor no peito que conheci pessoas amigas que me ajudaram a lembrar de nós. Nós Luiza! Nossa união, nossas alegrias, nossas conquistas... nosso amor. E então eu vi você amada. Em todos os cantos que olhava dentro de mim você sorria e dizia que me amava. Ah Lu... me desculpe... desculpe esquecer nosso amor. – Desliza suavemente a mão pela lápide até colocá-la sobre o colo.
- Eu te amo! Para todo o sempre vou te amar. Obrigada amada... obrigada por me ensinar que o amor existe... obrigada por ter trazido ele de volta a minha vida. Prometo nunca mais esquecer disso. Obrigada por cada dia de alegria que tivemos, por cada sorriso, por cada palavra. Obrigada por nós. Por não ter desistido de mim... por ter feito e fazer parte de minha vida.
Devagar Lisa se ergue do chão. Uma suave brisa se faz presente. É como se Luiza suavemente lhe tocasse o rosto. Um sorriso delineia os lábios perfeitos de Lisa.
Nunca o AMOR se fizera tão presente em sua vida.
- A sim, Lu... amor... eu lhe trouxe um presente.
Suavemente põe os dedos nos lábios e toca com carinho o nome da amada.
Vira-se e caminha em direção a saída. 


... Uma linda Flor de Lótus jazia perfumada sobre a lápide.

Because You Loved Me (com tradução)

For all those times you stood by me
For all the truth that you made me see
For all the joy you brought to my life
For all the wrong that you made right
For every dream you made come true
For all the love I found in you
I'll be forever thankful baby
You're the one who held me up
Never let me fall
You're the one who saw me through it all

You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn't speak
You were my eyes when I couldn't see
You saw the best there was in me
Lifted me up when I couldn't reach
You gave me faith 'coz you believed
I'm everything I am
Because you loved me

You gave me wings and made me fly
You touched my hand I could touch the sky
I lost my faith, you gave it back to me
You said no star was out of reach
You stood by me and I stood tall
I had your love I had it all
I'm grateful for each day you gave me
Maybe I don't know that much
But I know this much is true
I was blessed because I was loved by you

You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn't speak
You were my eyes when I couldn't see
You saw the best there was in me
Lifted me up when I couldn't reach
You gave me faith cause you believed
I'm everything I am
Because you loved me

You were always there for me
The tender wind that carried me
A light in the dark shining your love into my life
You've been my inspiration
Through the lies you were the truth
My world is a better place because of you

You were my strength when I was weak
You were my voice when I couldn't speak
You were my eyes when I couldn't see
You saw the best there was in me
Lifted me up when I couldn't reach
You gave me faith 'coz you believed
I'm everything I am
Because you loved me

Tradução
Por que você me amou.


Por todas as vezes que você me apoiou
Por todas as verdades que você me fez ver
Por toda alegria que você trouxe para minha vida
Por todos os erros que você fez certo
Por todos os sonhos que você fez tornarem-se reais
Por todo amor que encontrei em você
Eu serei eternamente grata, baby
Você foi a única que me ajudou a me levantar
Nunca me deixou cair
Você foi a única que me viu através de tudo isto

Você foi a minha força quando estava fraca
Você foi minha voz quando não podia falar
Você foi meus olhos quando não podia ver
Você viu o melhor que estava em mim
Me levantou quando não podia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo que sou porque você me amou

Você me deu asas e me fez voar
Você tocou minha mão, eu toquei o céu
Eu perdi minha fé, você me trouxe ela de volta
Você disse que nenhuma estrela estava fora de alcance
Você ficou do meu lado, e eu suportei
Eu tenho seu amor, eu tenho tudo
Eu sou grata por esses dias que você me deu
Talvez eu não saiba muito disso
Mas eu sei que este muito é verdade
Eu fui abençoada porque eu fui amada por você

Você foi a minha força quando estava fraca
Você foi minha voz quando não podia falar
Você foi meus olhos quando não podia ver
Você viu o melhor que estava em mim
Levantou-me quando não podia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo que sou porque você me amou

Você esteve sempre aqui por mim
O vento gentil que me carregava
Uma luz no escuro brilhando seu amor na minha vida
Você tem sido minha inspiração
Através das mentiras, você foi a verdade
Meu mundo é o melhor por sua causa

Você foi a minha força quando estava fraca
Você foi minha voz quando não podia falar
Você foi meus olhos quando não podia ver
Você viu o melhor que estava em mim
Me levantou quando não podia alcançar
Você me deu fé porque você acreditou
Eu sou tudo que sou porque você me amou

http://www.youtube.com/watch?v=xvqCr0L2r7c

FIM


Pois é... a imagem n combina mas procurem sentir a musica ;)


terça-feira, 3 de novembro de 2009

Capítulo XXI

- Mariana!! Lucas já chegou!
- To indo mãe.

Joyce observa a filha que desce as escadas da nova residência da família. Estava linda. Deixara os cabelos crescerem e estes agora lhe caiam pelas costas como uma linda cascata de fios negros. Os olhos verdes realçados pelo rímel eram tristes e misteriosos. Sua filha tinha uma beleza única.

- Olha mãe não devo demorar ok. Beija rapidamente o rosto amado e caminha em direção ao namorado que não conseguia desviar o olhar de sua bela figura.

- Fecha a boquinha querido. – Mariana diz irônica e brincando lhe segura o queixo.

- Você esta linda Mari.

- Você também Lucas. Vamos?



Joyce observa o jovem casal sair. Que saudade da adolescência. Um sorriso suave desponta nos lábios. Carlos aparece na porta da sala.

- Mariana saiu?

- Sim, foi com Lucas para uma festa de aniversário.

- Jô não acha cedo demais ela namorar?

- Cedo Carlos? Mariana já tem dezessete anos!

- Então! Muito cedo. Nesta idade a menina não sabe bem o que quer. Tudo são ilusões. Você mais que ninguém sabe disso.

Joyce se vira agressivamente para Carlos.

- O que está exatamente querendo dizer com isso Carlos?

- Não quero dizer nada! Só acho que você é muito condescendente com Mariana.

- Carlos do céu! Ela está somente namorando!

- Somente! Por acaso não é ela que é fruto de um ‘somente namorando’?

Joyce fecha o punho nervosa. Encara o marido quase com ódio.

- Se eu fosse você limitava a manter a boca fechada. Casou comigo ciente de tudo. Nunca lhe escondi nada. Não te dou o direito de me julgar agora.

- Contou mesmo Joyce? Tem certeza? – Carlos se aproxima da esposa intimidando-a com sua altura.

- O que exatamente está querendo dizer com isso Carlos? Meu Deus! Estou cansada! Cansada de suas insinuações, suas brigas, suas frustrações. – Passa as mãos no cabelo num gesto seu de nervosismo.

- Não estou insinuando nada! Vou sair. Não me espere pro jantar. – E sai batendo a porta.

Joyce bufando senta-se no sofá da sala. A cada dia Carlos estava mais insuportável. O casamento antes tão perfeito agora lhe era uma prisão. Não tinha um companheiro, tinha um ditador em casa. ‘ Paciência Jô. Você sabe que está exagerando’ Passa as mãos no cabelo tensa.

- Mãe!!! O Ri pegou minha bala!!!

- Mentira mãe! Era minha! Ele comeu a dele e agora ta querendo a minha!

- Meninos calem agora!! – Joyce lança um olhar assassino aos gêmeos silenciando-os imediatamente. – Me deixem em paz e resolvam vocês esse problema enooorme!! E ai de vocês se ouvir uma palavra dita em tom mais alto! Fora daqui!

Os gêmeos saem em ritmo “de flash” da sala. Não são doidos de mexer com a mãe naquele estado de espírito.

‘Preciso sair’. Jô se ergue do sofá e liga para a mãe que se casara e morava no bairro vizinho ao seu.

- Mãe? Tudo bem? Olha, eu queria sair um pouco, esfriar a cabeça. Será que poderia deixar os gêmeos com você hoje? Não se importa mesmo? Não quero atrapalhar. Ok, então. Obrigada mesmo mãe.

Desliga o telefone e deixa o olhar se perder no infinito. Balança então a cabeça numa negativa e novamente pega o telefone.

- Fabi? Tudo bem? Olha estava pensando em sair esta noite. Por acaso tem tempo livre? Serio? GLS? Mas... que bar é esse? Bom... eu... tudo bem eu topo. Que horas? Ok me passa o endereço que encontro você lá. Como? Passa aqui para me pegar? Tudo bem espero você então. Beijos.

Desliga o telefone empolgada. Há muito tempo não tinha um momento só seu.

- Rick! Luiz! Troquem agora de roupa. Vocês vão dormir na casa da avó!



O barzinho estava cheio. As duas mulheres sentam-se em uma mesa central. Curiosa Joyce observa o ambiente rústico e sorri para a amiga.

- Fabi, não sabia que você gostava de freqüentar estes ambientes.

- Que isso Jô! São os melhores! Aqui você encontra de tudo. Gays, lésbicas, simpatizantes, heteros. Eu adoro!

- Mas você curte mulheres?

- Uai, se pintar uma que vale a pena estamos aqui! - E ri alto. Fabiana era uma executiva de 42 anos de idade, separada e independente.

- Hum... acho que vou adotar sua forma de pensamento! E olha para os lados curiosa. Fixa o olhar na mesa ao lado onde dois belos rapazes trocavam um beijo apaixonado.

- Jô, ei Jô. – Fabi estala os dedos perto do rosto da amiga – Seja mais discreta, por favor.

- Eu... er... desculpa. É que é tão... diferente.

Uma musica suave domina o ambiente. Joyce olha o palco e vê uma bela morena cantar musicas ao vivo. Fabiana acompanha seu olhar.

- O nome dela é Andrea. Excelente cantora.

- Também é lês?

- É sim. Mas indiferente disso é uma excelente cantora. Canta em vários locais na cidade. – Fabi aponta a uma bela mulher sentada ao lado do palco olhando enlevada a cantora. – Aquela é a namorada dela.

- Hum... linda.

- Com certeza.

As duas são interrompidas por um rapaz que surge espalhafatoso frente à mesa das duas.

- Fabinha? Meu amor que saudades!

- João? Lindãooo! Esta se ergue e dá um abraço apertado no outro.

- Menina quanto tempo! Você anda sumida. – Se vira para Joyce com um sorriso admirado – Não vai me apresentar esse belo exemplar feminino de formosura?

Joyce sorri divertida. O rapaz era um dos homens mais jeitosos que já vira na vida.

Depois das apresentações João faz questão que ambas sentem à sua mesa. A mesma estava repleta de casais de todos os tipos. Logo Fabi se distrai com uma jovem mulher que não tirava os olhos dela. Um tempo depois sussurra aos ouvidos de Joyce.

- As novinhas são as melhores.

Joyce distraída faz um sinal afirmativo com a cabeça. Observava silenciosa uma bela morena de óculos que distraída bebericava uma caipivodca de limão. Algo nela lhe chamava a atenção. Talvez o ar intelectual que não combinava em nada com a festividade do ambiente.

Como a se sentir observada a morena ergue os olhos e encara Joyce fixadamente. Então com um sorriso de lado levanta um brinde a mesma. Timidamente Jô retribui o gesto.

A morena então se ergue e caminha em sua direção. O coração de Jô dispara alucinadamente. ‘ Meu Deus o que estou fazendo’?

- Oi tudo bem? Posso me sentar a sua mesa?

- Eu... não sei... depende do pessoal... eu...

- Acho que o pessoal esta bem ocupado. – A morena aponta displicente a mesa. Jô lhe acompanha o gesto e percebe que quase todos estavam dançando. Quem permanecia sentado trocava carinhos apaixonados entre si. Olha para a pista de dança e arregala ligeiramente os olhos. Fabi já se encontrava aos agarros com a mulher mais nova.

- Verdade... – Volta o olhar a morena e estende a mão – meu nome é Joyce.

- Prazer Joyce... A morena segura sua mão sem soltá-la – Meu nome é Juliana.



Lisa debruçada sobre os relatórios dos pacientes não escuta a porta do consultório se abrir.

- Ocupada amada?

- Lu! Para você nunca. Contorna a mesa e dá um suave beijo na esposa. – Aconteceu alguma coisa?

- Amor – Luiza a segura pela cintura. – Fui convidada como palestrante para um encontro dentro de minha área em Curitiba.

- Serio? Mas isso é maravilhoso!

- Pois é. Também adorei. Começa dia vinte agora. Acha que consegue uns dias para me acompanhar?

- Amor... – Lisa lhe toca o rosto carinhosa. - Você sabe que não posso. Não posso deixar a clinica nesse momento.

- Puxa Lisa... Tente ao menos o fim de semana! Só participarei terça feira do evento. Podemos passar o fim de semana por lá. Que acha?

- O fim de semana? Bom, ai já é discutível. – Bate palmas feliz. - Curitiba, aqui vamos nós! E sorrindo se joga nos braços da amada



O avião desce suavemente na pista. Todos reparam as duas mulheres que caminham lado a lado no saguão. Eram lindas e elegantes. Seus gestos carinhosos denunciam o amor presente entre ambas. Só não via quem não queria ver.

Entram felizes no taxi e suspiram felizes.

- Meu Deus, que saudade daqui! Luiza olha Lisa de lado.

- Hum... acho povo muito fechado. – Lisa se acomoda melhor no banco.

- Amor são duas culturas diferentes. Mas seu tipo físico combina com a região. – Sorri deliciada e faz um gesto de carinho na amada.

- Sei... Mas o que vamos fazer hoje.

Com um sorriso indecente Luiza olha meio de lado para o motorista de taxi que mantinha os ouvidos bem atentos as duas mulheres.

- Bem... pensei em entrar numa deliciosa hidromassagem e fazer um amor delicioso com minha esposa.

Com um sorriso ainda mais atentado aproxima a boca da orelha de Lisa e sussurra tudo que lhe fará dentro da banheiro. O rosto de Lisa se transforma de paixão. O motorista de taxi engole sem seco ‘ Nossa senhora! Dois mulherões desses juntas? É muito para o coração!’

Os dias foram maravilhosos. Lisa e Luiza passeiam por toda a bela Curitiba. As noites regadas de amor e paixão deixavam claro o amor entre as duas belas mulheres.

Já era domingo e terça seria o dia que Luiza palestraria no evento de medicina.

Lisa percebe sua tensão ao vê-la estudar atentamente o assunto.

- Amor, abraça-a suavemente - Não tem porque estar tão preocupada. Você vai tirar de letra sobre este assunto.

- Eu sei Lisa, mas sempre é bom dar uma revisão no assunto né. – Sorrindo deixa as anotações de lado e abraça a esposa. – Seria tão bom que pudesse ver a palestra. Não queria que fosse embora hoje.

- Eu também amor. Você sabe que tentei. Infelizmente não posso deixar de dar assistência ao Roberto na clinica. Já estaremos sem você e o Jairo estes dias.

- Eu sei. Luiza suspira tensa – Amada...

- Que foi?

- Sabe quando você sabe que algo muito importante vai acontecer em sua vida? Você sente isso?

- Como assim Lu? Não to entendendo.

Luiza a olha seria.

- Eu não sei explicar. Mas desde que recebi esta carta sobre o evento senti que algo muito importante vai acontecer em minha vida. Em nossas vidas. Não sei bem o que é, mas... eu sinto.

- Mas o que pode ser Lu?

- Ah, sei lá – Faz um gesto vago com a mão. – Na verdade nem sei se acredito nestas coisas.

- Eu acredito – Lisa se acomoda melhor nos braços de Luiza.

- Bom, seja o que for que seja maravilhoso. A cada dia me sinto mais feliz a seu lado. Você é tudo que sempre quis na vida Lisa.

- Hum... Lisa sorri contente – Sou é?

- Sim... Você é. Luiza ergue ligeiramente o corpo de forma olhar o rosto de Lisa. – não me canso de agradecer a Deus você em minha vida. Nunca me senti merecedora de tamanha felicidade. Sei que as pessoas em maioria não gostam de mim, me acham arrogante... mas... Lisa meu amor por você é sincero. É o melhor que existe dentro de mim. Seu amor me torna uma pessoa melhor, mais pura, mais cheia de fé. Nunca poderei lhe agradecer o suficiente por isso.

- Lu... Você é uma pessoa maravilhosa. Sempre se preocupando com as pessoas, curando-as, ajudando-as. Não entendo porque não se permite expor mais às outras pessoas.

- Porque nesta vida só você me importa Lisa. Só você. Meu coração não é como o seu, tão sincero e aberto ao mundo. Sou egoísta em meus sentimentos. Você não. Você é capaz de um amor gigantesco, não só por mim, mas por outras pessoas também. Antes eu via isso com pena. Por que pessoas assim sofrem. Mas hoje a compreendo melhor. E aceito. O que me importa é saber que uma parte de sua vida pertence só a mim. Que seu amor por mim é único e verdadeiro como você. Eu te admiro Lisa. E tenho muito orgulho de você.

- Oh amor... Não a vejo como se vê. Não mesmo. Lu, você é dedicada e persistente. Você é alguém tão especial amor! Quem sabe ver a alma sabe disso.

- E você sabe ver a alma Lisa?

- Sei amor. E a sua é maravilhosa. Graças a Deus faz parte de minha vida. Você me faz muito feliz.

As duas se abraçam com carinho. Lisa ergue o rosto e se deixa beijar pela bela mulher que a abraçava. Era um amor único como elas. Sincero como elas. Infinito em seus corações e alma.



A despedida no aeroporto é carinhosa. Lisa antes de embarcar volta o olhar para Luiza sorridente. Luiza acena feliz e põe a mão sobre o coração. Não era necessário palavras entre elas naquele momento. Elas simplesmente sabiam.



Lisa chega cansada a São Paulo. A viagem fora turbulenta. Pega o telefone e liga para Luiza.

- Amor já cheguei.

- Ei amada! Que bom! Já estou morrendo de saudades! É horrível ficar neste hotel sem você a meu lado. A cama está vazia!

- Hum... Pois saiba que estarei esquentando a nossa para quando chegar! Também morro de saudades de você amor!

- A viagem foi tranqüila?

- Nada! Foi exaustiva. Pegamos muita turbulência.

- Então vai deitar amor. Amanha terá um dia cheio na clinica.

- Tudo bem amor. Olha, vê se não vai aprontar por ai viu? Sabe que tem uma esposa muito ciumenta!

Luiza ri alto.

- Tranqüiliza amada. Não vou sair do quarto. E tão logo termine a palestra já pego um avião para casa. Deixe tudo preparado para mim. – Novamente ri alto.

- Nem vou perguntar por que riu Lu. Já conheço sua mente maldosa. Dorme com Deus amor e sonhe comigo. Te amo muito viu.

- Sempre sonho amada. Durma com Deus também. Te amo muito. Demais. Boa noite.

Luiza desliga o telefone feliz. Era tão bom ser amada!



A palestra fora perfeita. Tosos estavam maravilhados com os conhecimentos da jovem doutora. Luiza agradecia e cumprimentava as pessoas que vinham lhe elogiar o desempenho.

Já era tarde quando finalmente consegue se desvencilhar do grupo que a rodeava. Estava doida para ir para o aeroporto e voar ao encontro de sua amada.

Já no hotel faz rapidamente as malas e chama o taxi. Observa distraída as paisagens pelo qual passava e deixa seus pensamentos se direcionarem para Lisa. ‘Linda... tão linda o meu amor’ Suspira apaixonada e fecha os olhos enlevada. Perdida em seus pensamentos não vê o enorme caminhão avançar o sinal e em velocidade e vir em direção ao carro em que se encontrava.

O barulho da batida se faz ouvir por longa distancia. Pessoas desesperadas correm em direção ao taxi destruído e arrastado pelo enorme veiculo. O motorista do caminhão abre desesperado a porta e foge em disparada, apavorado com o acidente que seu ato de irresponsabilidade causara.

Todos observam a mulher morena caída sobre o banco. Seu rosto tranqüilo e suave contrastava com o desespero e angustia dos trausentes que tentavam salvar sua vida e do motorista que também se encontrava preso nas ferragens em gemidos angustiados. Parecia dormir, um sorriso leve se desenhava em seus lábios.



- Luiza... Luiza! Filha abra os olhos!

- Maia? Maia é você?

- Sim filha, abra os olhos. Está tudo bem

Luiza abre os olhos e se extasia com a luz maravilhosa a sua frente. Sente o coração leve e observa o seu redor deslumbrada. Nunca sentira o corpo tão leve e uma paz tão grande em seu ser. Lagrimas vem aos seus olhos. Vira-se para Maia e chorando pergunta.

- Maia... Isso é um sonho?

- Sim minha criança. Isso é um sonho por toda a sua vida. – Abre os braços amorosos para Luiza que corre e se abriga neles.

- Lisa... Eu preciso de Lisa! Preciso ver Lisa, Maia!

- Criança, Lisa está bem. Anjos cuidam para que ela esteja amparada. Confia.

- Maia... Eu a amo... Mais que tudo em minha vida.

- E ela a você filha. Almas unidas pelo amor universal jamais se separam. O amor faz parte de Lisa. Faz parte da vida!

Luiza fecha os olhos e permite que mais lágrimas escorram por eles. Está nos braços daquela que sempre lhe amparara em todas as suas angustias. Era novamente aquela adolescente perdida e vulnerável do passado.

- Maia... isso é um sonho? Volta a perguntar já sentindo os olhos pesarem em um sono inexplicável.

- Sim Luiza... é um sonho. Beija a testa morena com amor e sorri ao ver sua criança dormir suavemente. – Bem vinda de volta ao lar minha filha. – Sussurra baixinho.



Ainda presa sob as ferragens a mulher solta um leve suspiro e suavemente seu peito para de mexer. Os bombeiros desanimados sentem a vida se esvair do corpo jovem. Não havia mais o que fazer. Eles a haviam perdido.


Luiza estava em paz.



A alma humana é como a água: ela vem do Céu e volta para o Céu, e depois retorna à Terra, num eterno ir e vir. (Goethe)

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Capítulo XX

- Mentira! Fala sério! Não acredito!
- Eu tô dizendo amor... O cara esteve lá como se fosse a ultima bolacha do pacote. O salvador das mulheres que não conheceram ainda o poder de um bom pinto!
Dramaticamente ao contar Luiza põe a mão sobre o peito em fingida emoção.
- Gente que cara de pau meu!
Lisa não consegue segurar a risada. As duas se encontravam na cama após momentos maravilhosos de êxtase e paixão.
- Que raiva! Se eu pudesse matava este sujeitinho! – A indignação aparece na expressão de rosto de Lisa. - Que homem sem noção. Sem vergonha! Coitada da Jô... – O rosto se anuvia. Um aperto no coração se faz presente. Balança a cabeça como a tentar fugir dos pensamentos.
- Pois eu tenho pena amor – Lu ante o rosto agora indagativo de Lisa continua sua ideia. – Pense bem. O cara é casado com uma bela mulher... que não passa de uma lésbica mal resolvida. Deve ser muito frustrante.
- Que isso Lu! Joyce não é lésbica.
Joyce a encara irônica.
- Não!?
- Bom... tá... eu... acho que ela é bi... é isso. Joyce é bissexual.
- Lisa acredita mesmo nisso?
- Eu... não sei Lu. – A loira solta um suspiro desanimado – Ela é casada há tanto tempo e... Bem, ela tem uma vida com o marido, seja boa ou ruim, tem.
- Certo, mas só pela atitude dele percebesse que algo não vai nada bem. Acredito que ela também deva ter atitudes que demonstrem alguma insatisfação. Diz encarando Lisa fixadamente. A mesma engole em seco.
- Lu... amor... na verdade... – Lisa a encara nos olhos. – Na verdade Joyce deu em cima de mim.
Luiza sente um pequeno aperto no coração. Não queria saber nada que acontecera em BH.
- Tudo bem Lisa... eu prefiro não saber e...
- Mas quero contar Lu! Não quero guardar isso pra mim. Por favor. – Lisa imediatamente se ajoelha sobre o colchão se inclinando ligeiramente sobre Luiza.
Esta respira fundo. Porque as coisas não podem ser simplificadas? Por que o ser humano tem sempre esta necessidade de expor os fatos quando tudo parece caminhar perfeito? Porque não simplesmente esquecer?
- Conte amor.
- Lu... quando você foi embora e me disse que resolvesse as pendências do passado, me senti desamparada. Totalmente desamparada. Hoje sei que o ultimato me fez bem... foi o melhor a fazer.
- Não foi ultimato Lisa!
- Claro que foi! E não me interrompa!
Luiza a olha com os olhos ligeiramente arregalados e brincando faz um sinal de fecho na boca.
- Bom... a partir dali Joyce resolveu que ia reviver o passado. Quando quis sair com Mari ela impôs antes uma saída com ela. E eu aceitei. – Olha Luiza cautelosa percebendo ao perceber o rosto dela se fechar. – Lu... eu... eu... fiquei com ela.
Luiza engole em seco. Taí. era exatamente isso que não queria ouvir.
- Para que está me dizendo isso Lisa? – Luiza se levanta da cama e sem se preocupar com a nudez começa a caminhar pelo quarto. – Que prazer é este de me expor os detalhes? É necessário realmente me expor fatos que só me magoam?
- Lu! Não é isso! Entenda... é como uma redenção. – Lisa levanta e se abraça a bela morena. – Amor... só assim pude perceber que o passado estava morto. – A abraça ainda mais forte como que querendo lhe tirar toda a tensão do corpo. – Lu... quando ela... tentou ficar comigo; e isso foi mais de uma vez, percebi que não era ela entende! Era você! Você que devia estar ali. Você! Foi como se tudo clareasse em minha mente.
Luiza suspira profundamente, passa as mãos no basto cabelo castanho e, com Lisa nos braços, volta para a cama de ambas.
O silencio se faz presente entre elas. Finalmente é interrompido pelo sussurro de Lisa.
- Lu... Você é meu amor. Joyce ficou no passado. O momento meu e dela passou. Agora somos eu e você. Tenho tanta certeza disso... tanta! – Num gesto repentino Lisa se levanta da cama - Me espera.
- Lisa? Luiza acompanha sua amada se retirar do quarto. Abaixa ligeiramente a cabeça e dá um suspiro triste. Não queria mais doía. Mesmo sabendo ter vencido a disputa pelo amor de Lisa doía saber que ela estivera nos braços de Joyce.
Observa Lisa voltar lentamente para o quarto.
- Li... Lisa.... Você... você... fez... amor com ela?
Lisa arregala os olhos.
- Lu!! Não!!! Não amor, eu não fiz. Eu sou sua. É com você que faço amor.
Devagar se aproxima da cama onde Luiza se sentara e se ajoelha aos pés desta.
- Eu queria fazer isto em outro momento com flores e um lindo jantar, mas... Prefiro fazer neste.
Olha amorosamente Luiza que a encarava surpresa e ergue as mãos que seguravam uma linda caixa de joia. Abri-a expondo duas belas alianças de ouro.
- Luiza quer ser minha esposa? Prometo lhe ser fiel, na saúde e na doença, até que a morte nos separe. – Seu olhar era de expectativa. – Quer?
Luiza, que odiava expor suas fraquezas, não consegue se conter e deixa as lágrimas virem aos olhos.
- Amor... Chorando baixinho, ajoelha-se também no chão e abraça a amada. – Você é tudo para mim. Te amo tanto! Dou a vida por você! Quero... quero.
Lisa pega a aliança e a coloca no dedo de Luiza.
- Ficou perfeito! – Sorri extasiada e fungando permite que as lagrimas lhe caiam dos olhos.
Luiza sorrindo, segura a outra aliança e a põe no dedo de Lisa.
- Prometo por toda minha vida amá-la e desejá-la, ser-lhe fiel, para todo o sempre.
As duas se abraçam entre lagrimas e sorrisos. O passado não mais interferiria no amor das duas. Assim estava escrito. Era o destino.

Mariana caminhava devagar por entre as árvores da pracinha do bairro. Suspirando senta-se no banco. Lisa partira ao encontro do amor. E ela? O que restava a ela? Lembra as palavras de Lisa sobre viver cada momento de sua vida, viver experiências. Abaixa a cabeça suspirando baixinho. ‘Lisa... Porque tenho que esperar? Porque você não enxerga que vim pra você? Eu sei... não me importa você ser mulher. Você é a pessoa que sou destinada. ’
Observa uma jovem que patinava entre as arvores. ‘Linda’ pensa sem, no entanto sentir nada mais. Diferente de quando olhava Lisa e queria abraçá-la, beijá-la, senti-la.
Suspira baixinho. Lisa tinha razão. Esta era a verdade. Cada pessoa tinha o livre arbítrio de fazer seu destino. E Lisa escolhera Luiza, a morena alta, arrogante e simpática. Quem era ela para interferir naquele amor?
Observa a jovem que patinava cada vez mais perto de onde estava sentada. Esta sorria a cada volta pela praça numa clara tentativa de aproximação.
‘ Você tem razão Lisa. É preciso viver. A vida continua. Está na hora de eu começar a minha. ’ E sorri para a jovem que devagar para a sua frente e começa a puxar um papo agradável. Mariana começava o seu caminho de amores e descobertas.

Joyce assistia à televisão trocando os canais aleatoriamente. Nada lhe parecia interessante. A casa estava vazia. Os gêmeos estavam com os avôs paternos e Mariana caminhava pelo bairro. Os olhos se enchem de lagrimas quando, mais uma vez, relembra os momentos com Lisa. ‘Lisa’ sussurra baixinho. Balança a cabeça tentando segurar as lágrimas. Será que realmente escolhera o caminho certo? Era feliz?
Ouve a porta da frente se abrir e Carlos adentrar pela mesma segurando a mala. Os olhares de ambos se encontram. Olhares cheios de culpa e mágoa. Carlos suspira e caminha em direção a esposa.
- Jô... Nós precisamos conversar.
Joyce abaixa a cabeça. Não queria discutir, não queria explicar. Nada lhe importava.
- Jô... Eu não tô feliz... Nós não estamos felizes.
A morena ergue o olhar surpreendida.
- Sei que não estou sendo um marido presente, nem um pai legal pros meninos. Mas quero tentar. – Carlos se vira para a esposa. – temos uma história Jô. Uma história que vale a pena acreditarmos. Você... acredita nisso?
Joyce observa o marido atentamente. Percebe em sua têmpora pequenos fios de cabelo branco que antes não havia ali. Uma ternura acende em seu coração. Não o amava. Amou a ideia de amá-lo. Mas Carlos era um bom homem. Com defeitos e qualidades, mas um bom homem. Devagar estende os braços e Carlos se aconchega neles. E ali permanecem juntos, unidos por uma vida em comum, por um carinho perdido, mas não irrecuperável. Somente o futuro dirá se o caminho escolhido é o certo. No momento o importante é tentar. Acreditar. ‘Você não tem nada a perder Jô. Você tem uma família linda e maravilhosa. Está mais que na hora de viver para eles’.

Um ano depois

-Amor!! Cheguei!
Lisa caminha pela sala jogando a pasta sobre o sofá
- Luiza?
Caminha pelo apartamento surpresa de não ver a esposa em lugar alguém. Suspira tensa e se joga no sofá. ‘ Que dia!’
O dia fora corrido e ainda pela tardinha tivera que atender um paciente a domicílio. Odiava essas eventualidades, mas o colega que o fazia estava de licença médica.
‘ Mas... Onde diabos está Luiza?’ Busca o celular na bolsa e liga para a amada. Nervosa vê o telefone cair na caixa postal. ‘Vou matar aquela amazona. Custava ao menos deixar um recado de onde ia?’
Levanta-se e tirando a roupa pelo caminho entra debaixo do chuveiro. Deixa água escorrer pelo seu corpo permitindo-se relaxar debaixo d’água. Por longos minutos permanece ali se deliciando com o frescor da água. Coloca um roupão e caminha em direção a cozinha. Ao fechar a geladeira se surpreende com o bilhete colado na mesma.
Pega-o curiosa e ri logo a primeira frase escrita.

Minha querida esposa. Depois de esbravejar bastante contra minha pessoa, tomar seu banho e se acalmar eis que encontra o tão esperado bilhete (pois é tsts. A cozinha é seu ultimo refugio na casa que sei).
É duro ser casada com alguém que lhe conhece tão bem.

Agora meu amor, coloque um belo vestido e me encontre neste endereço. Por favor, não demore. Estou ansiosa para vê-la.
Te amo minha amada.
Lisa olha o endereço e sorri feliz. Luiza era sempre uma surpresa. Caminha em direção ao quarto e escolhe um belo vestido branco que ajustava divinamente bem nas curvas de seu corpo. Tira da cômoda uma bela combinação e a olha pensativa. Sorrindo safada volta-a para a gaveta. ‘ Você não é a única que gosta de surpresas aqui Lu’. Já vestida maquia-se suavemente e chama um taxi. Pelo caminho sorri extasiada. A noite prometia ser maravilhosa.

O hotel era um dos mais chiques de SP. Dá o nome na recepção que imediatamente lhe entrega a chave da suíte principal. Ignorando o olhar curioso do rapaz atrás do balcão Lisa balança a cabeça sorrindo ‘ Luiza é louca! Suíte principal?’. À sua entrada no elevador imediatamente o recepcionista liga a suíte avisando Luiza de sua chegada.
Abre a porta vagarosamente e se surpreende com a bela mesa ao centro da sala. Duas lindas velas acesas davam ao ambiente um ar deliciosamente romântico. Respira enlevada e percebe um sutil perfume de rosas. Caminha em direção ao quarto e sente o coração aquecer diante da maravilhosa cama repleta de pétalas de rosas vermelhas.
- Eu te amo Lisa.
Emocionada Lisa se vira para a porta do quarto e vê Luiza, maravilhosa em um lindo vestido negro, lhe estender uma taça de vinho. Devagar se aproxima da amada e pega a taça.
- Amor... eu...
Luiza coloca suavemente um dedo em sua boca lhe silenciando.
- Hoje faz exatamente um ano que minha vida mudou. Encontrei o amor de minha vida.
Lisa surpresa franze a testa.
- Hoje? Mas ainda não é nosso dia amor!
Luiza sorri amorosamente. Lisa nunca cansava deste sorriso. Ele lhe pertencia. Luiza, em todo este ano de convivência, nada mudara na forma de tratar as pessoas. Cada dia mais arrogante e dona da verdade reservava apenas a ela seu lado doce e suave.
- Lisa... exatamente no dia de hoje nos conhecemos. A vi pela primeira vez e soube que você era meu destino. – Estende a mão e toca o rosto amado – No dia de hoje o amor se fez presente em minha vida e em todos os dias vindouros. A felicidade passou a fazer parte de minha existência. Amor... nunca imaginei merecer tanto!
Lisa não consegue conter o soluço que lhe vem da garganta. Abraça Luiza emocionada.
- Você também me faz a mulher mais feliz do mundo Lu. Obrigada. Obrigada por não ter desistido de mim.
O beijo começa suave e delicado. Mas logo a paixão, constante em suas vidas, se faz presente e o beijo se torna profundo e impaciente. Luiza, tentando conter o fogo que se instala dentro de si, afasta Lisa com dificuldade de seus braços.
- Não é assim que planejei a noite.
Estende a mão para Lisa e a encaminha para a mesa onde um delicioso jantar as aguardava. A conversa flui animada e conflitante entre elas. Quase nunca suas opiniões batiam e sempre uma queria mostrar a outra que estava certa. Ao final riam divertidas com o debate e brindavam a forte personalidade de ambas. Tudo era uma suave e deliciosa rotina em suas vidas.
Após o jantar Luiza se ergue e caminha em direção ao som e colocando um CD para tocar. Estende a mão à loira convidando-a a dançar.
A música “In my life” dos Beatles ecoa no silencio da sala. As lágrimas começam a correr dos olhos de Lisa. Era a sua musica preferida.

In my life

There are places I remember
All my life though some have changed
Some forever not for better
Some have gone and some remain

All these places had their moments
With lovers and friends I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I've loved them all

But of all these friends and lovers
There is no one compared with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new
Though I know I'll never lose affection

For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I'll love you more
Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I'll love you more
In my life I'll love you more...

Tradução

Há lugares de que me lembro
Toda minha vida, apesar de alguns terem mudado
Alguns para sempre, não para melhor
Alguns se foram, e alguns permanecem

Todos esses lugares tem seus momentos
Com amores e amigos que eu ainda me lembro
Alguns estão mortos e alguns ainda vivem
Em minha vida, eu amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores
Não tem nenhum que se compare a você
E essas memórias perdem o sentido
Quando eu penso no amor como algo novo
Apesar de saber que nunca vou perder o amor
Pelas pessoas e coisas que vieram antes
Eu sei que sempre vou parar e pensar neles
Em minha vida, te amo mais

Apesar de saber que nunca vou perder o amor
Pelas pessoas e coisas que vieram antes
Eu sei que sempre vou parar e pensar neles
Em minha vida, te amo mais

- Eu... Nunca ouvi essa versão. Soluça apoiando a começa no colo de Luiza que delicadamente a conduzia na dança.
- É uma versão na voz de Dave Matthews. Achei que ia gostar – Luiza sussurra baixinho no ouvido de Lisa.
- Eu amei. Amei! Ergue a cabeça e beija a morena procurando no gesto mostrar todo a amor e paixão que explode em seu peito.
- Amo você amor. Amo você.
Luiza geme suavemente quando percebe o beijo se transformando e a paixão dando lugar ao carinho. Aperta a cintura amada e desliza as mãos para os quadris. Surpresa arregala os belos olhos castanhos.
- Lisa você está sem...
- Pensa que só você sabe surpreender meu amor? Lisa dá um sorriso safado ainda com os olhos cheios de lagrimas.
- Sua safada! Vem aqui!
As duas caem sobre a cama repleta de pétalas vermelhas e começam o suave balé das amantes. Luiza desliza o vestido pelo corpo perfeito e admira extasiada o corpo de Lisa. Nunca se cansaria de sua beleza.
- Você é tão linda!
- Você é mais meu amor. Sabe... – Lisa toca a bela covinha do rosto moreno. – Ainda não consegui ver o duende que se esconde nesse cantinho.
- Ah amor... é porque ele só aparece para velar seu sono. – Luiza pisca o olho matreira.
- Ah... assim não vale - Começa esfregar o corpo no de Luiza tocando-a mais intimamente – Ainda vai continuar vestida?
Os beijos apaixonados os toques exigentes, tudo parecia pouco às duas belas mulheres. Os gemidos roucos, a paixão evidente tão somente era uma pura demonstração do amor presente.
Lisa grita em êxtase ao sentir o orgasmo enlouquecedor e se entrega confiante nos braços morenos. Acompanha feliz sua amada gemer enrouquecida, também em êxtase e sorri feliz. Adorava ouvi-la, tocá-la, satisfazê-la.
- Satisfeita meu amor?
Luiza ergue a cabeça com um ar malandro.
- Ainda não amada. Não lhe dei o presente.
- Presente – Lisa se empolga. Adorava ganhar presentes. Observa Luiza se erguer da cama e se aproximar da sacola ao lado da cortina. O sorriso congela no rosto ao vê-la tirar da mesma um enorme vibrador cor de rosa.
- Mas... o que é isso? Sente o sangue gelar nas veias.
- Gosta? Luiza empolgada não repara os olhos da amada se arregalarem ainda mais ao ouvir o barulho do vibrador que começa a tremer e girar suavemente.
- Vê amor... tem três velocidades. Dezoito centímetros de prazer. – Olha irônica a amada.
- Eu... eu... NEM PENSE QUE VAI COLOCAR ISSO EM MIM!
Luiza a olha surpreendida. Sorri tranquilamente procurando acalmar Lisa.
- Calma amor... tudo vai dar certo. Olha, não é o único presente que comprei.
Lisa sente o coração acelerado. Respirando fundo varias vezes pergunta cautelosa.
- E o que mais tem?
Luiza abre um sorriso enorme.
- Lubrificador!! Grita alegre tirando um enorme tubo a base d’água da sacola.
- Nem vem!!!
Lisa pula da cama já em pânico. Luiza gargalha e pegando rapidamente algo na sacola que Lisa não tem tempo de ver, sai ao encalce da loira.
- Fica longe Luiza!! Tô fora! Sai pra lá!! Ergue as mãos para frente tentando impedir que a morena alcançasse seu corpo. Qual não é sua surpresa ao ver ambas as mãos
presas numa algema forrada de forma a não machucar seus punhos.
- Que isso? Tira isso de mim!!!!
- Nem por sonhos Lisa. Você agora vai me servir.
- Luiza!! NÃO!!!
Lisa tenta por todas as formas impedir Lu de levá-la de volta a cama. Mas não era páreo para a força da morena. Impotente, quase em desespero vê a morena prende-la na grade da cabeceira. Indefesa, observa Luiza admirar seus seios.
- Você me fascina.
- Lu... Por favor, faz tudo... Tudo que quiser... Mas não mete... aquela coisa em mim.
- Amor... Luiza a olha condescendente – Sinto lhe dizer, mas quem manda aqui... SOU EU!! – Toca-lhe o rosto levemente - Não precisa ter medo amor. Você vai adorar.
E agarra os seios claros chupando-os loucamente. Lisa se contorce de prazer e medo. Sente-se molhar cada vez mais com os beijos e toques de Luiza e uma expectativa de desejo e medo toma conta de seu ser.
- Amor... Amor... Não...
Geme roucamente ao sentir suas pernas abertas e dedos lhe penetrarem o sexo fortemente. Luiza começa um movimento de vai e vem que enlouquece Lisa. Seus gemidos são altos e prazerosos. Perdida num orgasmo delicioso não nota Luiza lubrificar o vibrador. Arregala os olhos em choque ao sentir algo grande e volumoso penetrá-la
- Não!! Não!! - Em desespero, tenta de todas as formas impedir que o dildo fosse colocado dentro de si. Indiferente aos gritos da amada Luiza a penetra cada vez mais fundo e liga o vibrador. Lisa grita ainda mais alto, não sabe descrever se era de prazer ou dor. Tudo se misturava dentro de si. O movimento de vai e vem junto à vibração despertam um vulcão de sensações fortes dentro de si e espasmos violentos tomam conta do corpo delicado.
- Não... pare... não quero... ahhhhhhh
- Você gosta sua sem vergonha! Sente... sente! - E penetra a loira ainda mais fundo sentindo seu próprio sexo contrair só de ver o prazer da amada.
- Deus... Deus... Lu... Luuu! Merda! Me solta!! DEUS!! Aiii!
- Goza safada! Goza! – Luiza quase não conseguia conter o próprio prazer só de ver a amada em convulsões de prazer. E quando Lisa geme num orgasmo forte e intenso, Luiza solta um grito extasiado. Nunca o prazer lhe fora tão satisfatório. Lisa lhe completava.
Luiza ainda tenta recuperar o fôlego quando sente pequenos empurrões no corpo.
- Merda Luiza... – Lisa com os quadris a empurrava quase em desespero. – desliga essa porra... eu não aguento mais.
Luiza quase desfalecida desliga o vibrador e o tira sem nenhum cuidado de dentro de Lisa.
- AII!! Merda!! Quer me arrancar a buceta fora? Sua... pervertida!!!
- Ai amor... desculpe... eu... tô exausta. - Luiza se deixa cair novamente ao lado da amada. Estava impressionada com o orgasmo que tivera. Fora um prazer mais emocional que físico. E isso a deslumbrava. Fora tão bom!
- Vai é morrer se não me soltar dessa merda!! Porra! ME SOLTA JÁ LUIZA!
- Meu Deus Lisa. Nunca vou me acostumar a essa sua boca suja. – Levanta-se com dificuldade e liberta Lisa das algemas. Esta esfrega os pulsos e observa a morena se jogar sobre a cama de bruços. Um sorriso sem vergonha começa a surgir em seu rosto ao ver a morena totalmente relaxada e distraída. Pega a algema e num golpe rápido e certeiro se coloca sentada sobre a morena prendendo- lhe o pulso esquerdo.
- Que isso?
Sem responder e sem deixar que a morena tivesse tempo de reagir Lisa passa a algema pela grade da cabeceira e a prende no outro pulso. Luiza sente o coração contrair. Detestava se sentir indefesa.
- Lisa para com isso. Me solta.
- Mesmo? – Lisa ainda se recuperando do orgasmo enlouquecedor que tivera, pega o vibrador e o olha quase clinicamente.
- Nossa amor! Olha só! Tem até o formato das veias. Que nojo!
- Lisa!  Me solta. - Luiza ergue a cabeça o máximo que pode e olha indignada a esposa. – E não se faz de inocente! Sei que já viu muitos desse.
- Fica quieta ai. Puta merda. Você meteu tudo isso dentro de mim. Sua sádica!
- Lisa!! ME SOLTA!
Lisa a olha inocentemente. Sem responder se levanta e caminha em direção ao banheiro. Luiza escuta a torneira se abrir e fechar
Lisa volta tranquilamente ao quarto, linda em sua nudez, e vagarosamente pega o lubrificador esquecido sobre a cama.
- Lisa! Para já com esses pensamentos! Eu já gozei!
A loira analisa detalhadamente o vibrador para ver se o tinha lubrificado totalmente. Depois volta o olhar sorridente para Luiza.
- Quem é mesmo a dona aqui?
- LISA!
Ajoelhando-se sobre a cama Lisa força as ancas morenas de forma a colocar Luiza de joelhos. Observa cheia de desejo o sexo de Luiza. Ver a morena indefesa e de quatro era para ela uma experiência única. Não podia deixar de aproveitá-la.
- Como você disse mesmo Lu? Você vai adorar. – Diz com a voz ligeiramente tremula.
- Lisa... vamos conversar. Não é assim que as coisas funcionam, não é... ahh!!!
Luiza grita surpresa. Lisa num único movimento penetrara-lhe fundo com o vibrador. Ao senti-lo todo dentro de si Luiza geme quase lamentosa. Lisa liga o vibrador e começa a movimentá-lo quase que violentamente.
- Sinta gostosa. Você também quer. E bate nas nádegas morenas como a querer reforçar suas ordens. Luiza começa a acompanhar com os quadris o movimento do dildo.
Luiza sente o orgasmo próximo, mas quando este parecia vir tudo para repentinamente.
- O que? O que? O QUE?? LISA!! NÃO PARA!
Lisa a olha irônica.
- Quem manda aqui?
- Lisa pelo amor de Deus, não faz isso! Luiza tenta soltar as mãos desesperada.
- Quem manda aqui?
- Você merda! Mete logo!
- Quem é sua dona?
- Droga! Você! Você! Mete!!!
Lisa já totalmente tomada pelo desejo de satisfazer à amada a penetra novamente com o dildo ligado e começa um movimento intenso de vai e vem. Acomodando-se melhor atrás da morena penetra o dedo em Luiza e sente esta se contrair.
- Lisa? Onde diabos está metendo este dedo? Lisa? Meeeuuu... Deusss... Eu... vou... gozar... eu...
Luiza sem inibições solta um grito rouco e satisfeito. O prazer era louco. Se debate sobre a cama estremecendo a cada estocada que recebia de Lisa. Ao final se deixa cair sem forças sobre a cama.
- Você... é... louca. – Diz com a respiração entrecortada.
- Louca por você amor... louca por você... - Responde Lisa distribuindo vários beijinhos pelas costas morenas.
A noite fora perfeita.
O tempo é o melhor autor: sempre encontra um final perfeito.
 (Charles Chaplin).