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domingo, 29 de junho de 2008

TRAIÇÃO, AMOR E PERDÃO - Capítulo I

Primeira Parte – Traição

“Existem em nossas vidas várias almas afins, mas, apenas uma única é destinada a ser a dona de nosso coração.”

Capítulo I 

  Os corpos suados se encontram... Mariana toca seu amor como se não acreditasse que ela estava ali, em seus braços. “Deus, ela é tão linda... Tão minha!” Desde criança soubera que esta mulher seria seu destino, que viera ao mundo por ela, para ela. Não havia escolhas. Desceu as mãos trêmulas ao encontro dos seios macios... Apertou-os delicadamente, mas, ao ouvir o gemido perto de seu ouvido, se descontrolou. Agarrou-os com desespero, apertou-os nas mãos meio perdida, sem saber como controlar a ânsia de um desejo tanto tempo reprimido. Sentiu mãos carinhosas segurarem as suas e ergueu os olhos verdes em direção ao rosto de sua amada. Sorriu um sorriso trêmulo, nervoso, ansioso e que foi plenamente retribuído e então viu os olhos cor de mel escurecerem. Sentiu um frio delicioso descer pelo seu estômago e uma dor latente em seu sexo. A boca macia buscou seus lábios e ao sentir o toque da língua a pedir passagem, os abriu, gemendo ao sentir o sabor daquela que tanto desejava. A mulher em seus braços, segurou firme suas nádegas e as apertou, puxando-a para si. Sentiu mãos insinuarem entre suas pernas, desejosas de um toque mais profundo. Era tão bom, tão certo, tão único. 
 - Amo você, amo tanto você... - Sussurrou baixinho, fascinada, ao ouvido daquela que sempre fora a dona de seu coração. 
 - Mas... O que é isso?? Mariana?? Meu Deus, O QUE É ISSO????? - Gritou Joyce, em choque, ao ver sua filha nos braços de uma mulher... Nos braços de Lisa. 


Dezoito anos atrás

- Lisa acorda!!
- Ahn??
- Lisa acorde!
- Mãe, que houve? - Lisa olhou o relógio, 23 horas. Olhou assustada para a mãe. - Que houve???
- Filha, a Joyce está no hospital, a mãe dela acabou de ligar.
- Joyce? O bebê? Mãe?
- Ela entrou em trabalho de parto adiantado e quer você lá. Vamos, troque de roupa que te levo.
Lisa pulou da cama e trocou de roupa de qualquer jeito. Sua melhor amiga estava no hospital chamando por ela. No caminho para o hospital só conseguia pensar em Joyce, em como se conheceram ainda no jardim de infância, as brincadeiras, as descobertas no inicio da adolescência, os primeiros namoricos. Sempre unidas, amigas para sempre, como diziam. Mas um dia surgiu Daniel e, quando ele e Joyce começaram a namorar, Lisa se sentiu de lado. Surgiram assim as primeiras brigas de ciúmes. Elas tinham dezesseis anos. Joyce acabou se afastando e deixando de ouvir os conselhos de todos a respeito de Daniel. O jovem não era simpático a ninguém de seu grupo de amizades e mesmo por sua mãe, mas, ainda assim, investiu mais no relacionamento que terminou com o final previsto e temido por todos. Grávida e abandonada. Desiludida dos homens procurou abrigo nos braços de Lisa, que sem hesitar estendeu os braços. Lisa, a partir desse momento se tornou um verdadeiro cão de guarda disposta a protegê-la de todos que lhe quisessem mal. Isso não lhe surpreendia em nada afinal Joyce sempre conseguia cativá-la com seu jeito “meigo e desprotegido”.

- AH SAI!! - Joyce gritava - Ah mãe, não quero sentir isso, mãe!
- Joyce, respira filha, calma...
- CALMA? Calma a porraaa! - ela respirava fundo quando a dor da contração que diminuiu e só conseguia pensar que está odiando cada minuto daquilo. – Mãe, pelo amor de Deus, diz que não pode piorar.
- Hã... Filha, não pode piorar. - Joyce olhou para sua mãe, Lucia, descrente. A mulher que sempre a apoiou, mesmo com suas grosserias e rebeldia. A pessoa que sempre lhe estendeu a mão e nunca lhe faltou. Ela e...
- Lisaaa! Mãe, porra cadê a Lisa? - Gritou ao sentir uma nova contração. A enfermeira veio, sorriu calmamente a ela e observou por entre suas pernas, por baixo do lençol... Se Joyce não estivesse tão desesperada com a dor estaria roxa de vergonha.
- Hummm ainda falta um pouco querida. - “Quê? A mulher é doida?”, pensou com um olhar fulminante. Se a enfermeira erguesse os olhos de entre suas pernas, com certeza morreria fulminada com um único e mortal olhar. - Vou chamar o anestesista. - falou a enfermeira saindo do quarto.
- Anestesia? - Por um momento Joyce esqueceu a dor. – Mãe, ela disse... Anestesista? Ai, que maravilha! - Joyce, filha, procure ter calma. Respire relaxe. - Disse uma nervosa Lucia
- Ai mãe, agora só penso na maravilhosa anestesia. - Joyce disse esperançosa. Esperança que morreu imediatamente alguns minutos depois quando viu entrar pela porta um médico segurando uma pequena agulha de possivelmente “2 metros” de comprimento. - Que é isso? Que é isso? Que troço é este?
- Calma, senhorita... Olha o papel - Joyce. Esta anestesia é para que o parto seja tranquilo, sem grandes sofrimentos a você e ao bebê.
- Sofrimento? Doutor, tá doido? Olha essa injeção... Essa agulha? Isso é agulha? Nem morta que me aplica isso. Vou é sair daqui... Vocês são doidos.
- Joyce! - gritou sua mãe - Fique ai, para! Joyce deite já!
- Tô fora!!! Que é isso, nem pensar - disse já em pé, para desespero e risos de alguns residentes que acompanhavam o médico. Porém, imediatamente se curvou a mais uma contração - AHH!!!!
Lisa entrou no hospital correndo e, logo que pisou na ala da maternidade ouviu um grito.
- Mãe, é a Joyce - disse desesperada.
- Calma Lisa. - Porém, ela nem escutou, pois estava correndo de encontro ao grito. Ao entrar no quarto, viu Jô cercada por médicos e enfermeiros, curvada e respirando com dificuldade.
- Jô!!! - gritou olhando para a amiga.
- LISA! Ai, que dor! - Estendeu a mão - Odeio isso, odeioooo! - Antes que Lisa chegasse a ela, os médicos a colocam novamente na cama.
- As contrações estão rápidas. Não dá mais para a anestesia. Terá que ser parto normal
- Hãa!! - As duas viraram o rosto em direção ao médico, que nem notou o choque no rosto de ambas. Jô se virou para Lisa que, de mantinha seus olhos arregalados no medico.
- Doutor, ai meu Deus, ai vem outra. - A mãe de Joyce segura firme a mão da filha enquanto esta mordia os lábios em desespero. Não sabia por que, mas não queria que Lisa a visse gritando. Virou-se para a amiga. - Lisa, você vai ficar comigo? - Disse tentando ignorar a movimentação dos médicos.
- Eu? Claro, Jô! Tô com você, nessa.
- Não! Digo, vai ficar comigo?
- Ver o parto? - Lisa arregalou os olhos.
- Sim, porra! Ai, Deus! OUTRA!!! Lisa olhou desesperada para a mãe de Joyce, mas ela só tinha olhos para a filha. Olhou então para a sua mãe, mas ela também parecia hipnotizada pela movimentação do quarto.
- Eu? Não, herr, não posso Jô, sou menor... herrr eles não deixam. - disse apavorada.
- A porra que não deixam!!! - gritou - Também sou menor, que merda. - Joyce esqueceu totalmente sua intenção de não gritar diante de Lisa. Tudo parecia irreal, só sentia dor, dor, dor. - Doutor! - falava alto - A injeção, pelo amor de Deus!

- Deus! Nossa como é linda! - Lisa sentada perto da cama, no quarto, não conseguia tirar os olhos da menininha nos braços de Joyce. Já era manhã, não havia pregado os olhos, mas se sentia viva como nunca. A mãe da amiga saíra a pouco do quarto e agora só estavam as duas e aquele anjinho.
- Ela é linda, né? - Jô sorriu com os olhos cheios de lágrimas. - Valeu cada momento de dor. Ah Lisa, eu já amo ela tanto! Dá até para esquecer que fiquei igual um franguinho na televisão de cachorro, como dizem.
Lisa riu, ela sabia o quanto Joyce sempre odiou se expor aos olhos do seu médico ginecologista durante os oito meses de gestação. “Oh homem paciente, viu!”
- Mas não pense que esqueci, viu. Nunca vou te perdoar não ter estado do meu lado, sua feia. Custava??? - Jô a olhou com um olhar de repreensão.
- Ah passa essa, você sabe que eu desmaio só de ver sangue. Mas fiquei em pensamento - disse aguardando mais uma reclamação, das muitas que Jô certamente faria. Mas Jô parecia já ter lhe esquecido. Olhava com profundo amor a criaturinha que agora dormia serena em seus braços.
Lisa a observava, não sabia dizer o porquê, mas nunca a vira mais linda. Ela estava serena como nunca a tinha visto. Sempre a achara bonita, com seus cabelos e olhos negros como a noite, mas nunca tanto quanto agora. E quando ergueu os olhos e lhe sorriu, seu coração disparou. Sem saber por que, se sentindo de repente tímida, Lisa olhou novamente para a menininha. Jô acompanhou seu olhar. E nesse momento, ao erguer a mão e segurar com carinho a mãozinha daquele ser tão pequenino e dependente, sentiu seu coração transbordar de um amor puro, único e soube que, de alguma forma, sem entender muito bem, ali estava seu destino.

Capítulo II

Metade de mim

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