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sábado, 24 de outubro de 2009

Capítulo XVIII


A sexta amanhecera chuvosa. Joyce caminha pelas ruas do bairro resmungando. Fora uma semana péssima. Tudo dando errado. O olhar se torna ainda mais revoltado ao lembrar a noite de sexta com Lisa. Tudo corria bem até ela dar aquele showzinho bem típico dela. Pior; ver a filha chegar no dia seguinte toda feliz por causa dela... Isso mesmo!!! Ela! Lisa! E para terminar receber um telefonema do desaforado, mal humorado de seu marido dizendo que voltaria sábado e não domingo como o previsto.
Pisa em uma poça de água e grita revoltada. ‘Que dia!! Que dia!! QUE SEMANA!’
Joyce não admitiria nem por jura brava que todo seu nervo era frustração. Ter Lisa nos braços e não tê-la era desesperador. ‘Tudo bem assumo. Lisa é meu ponto fraco, minha sina, meu desejo. Praga!!! Praga!!! Praga!!!’ Passa as mãos pelo cabelo respirando angustiada.
- Ei Jô curtindo o solzinho?
A morena olha surpreendida para trás e dá de cara com Marcos pai de Lisa.
- Oi Marcos! O tempo está ingrato demais. - ‘ Se bem que combina com minha vida’
- Verdade. Custei a querer sair da cama. Mas ainda assim vou ter que ir a Lagoa Santa no sitio. Deixei varias coisas ao ar livre e com esta chuva... Mas e você? Que faz?
- Deixei o carro na oficina. Ele está esquentando. Pedi uma revisão. Como é perto resolvi voltar andando. Mas Marcos, você vai agora pro sitio?
- Já tô saindo. Só fui ali no João pegar minhas ferramentas – Diz sorrindo e erguendo ligeiramente o braço a mostrar as mesmas.
- Ah, legal... e... vai sozinho?
- Joyce até parece que não conhece Paula – Marcos gargalha – Vou com minha mulher a tiracolo. – O ar dramático e fingido esconde o orgulho e prazer que tem pela compania da esposa.
- Mas... e Lisa? Não vai?
- Não, Lisa resolveu que a tarde vai visitar umas amigas por ai. Eu sinceramente, com este tempo, também não ia querer ir a um sitio.
Joyce tenta esconder o empolgue.
- Bom!!! Quer dizer... bom, boa viagem Marcos. Volta hoje ainda né.
- Não sei Jô... talvez. Vamos ver o que encontro por lá. Se cuide e beijos na afilhada.
- Ok... Darei vários... se ela deixar. Rindo e esquecida do mau humor Joyce segue seu caminho. Um plano começava a traçar na sua mente.
Chega à casa ansiosa e corre para o quarto. Tira toda a roupa e entra debaixo do chuveiro. Ali permanece por longos minutos. Veste-se informalmente e coloca uma suave maquiagem. ‘ Tudo bem natural, ao acaso. Apenas não fui trabalhar hoje, só isso. ’
Com um sorriso safado e ligeiramente irônico se olha no espelho. ‘Perfeito’.
Pega a bolsa, sai do quarto, cumprimenta rapidamente a babá das crianças e sai para a rua em direção a casa de Marcos e Paula.
Já ia tocar a campainha quando o portão abre-se repentinamente.
- Marcos! Que susto! Põe a mão sobre o coração, os olhos arregalados.
- Oh, olá Joyce. Já estávamos de saída. Diz apontando o carro do outro lado da esquina, cujo assento de passageiro encontrava-se Paula. Ligeiramente avermelhada Jô dá um aceno tímido para ela que com ar preocupado, mas simpático retribui.
- Bom Marcos, eu... Na verdade, eu vim conversar com Lisa.
- Algo sério?
Marcos relanceia um olhar para Paula e sente um aperto no coração. Uma ânsia de ficar se faz presente, mas ao mesmo tempo encara a situação como algo que Lisa, sua filha, deve resolver. Já era mais que tempo elas definirem a situação.
- Não... eu... é sobre Mariana. Não quero ser motivo para que elas se afastem.
- Ah sei... bom, entre de uma vez então Jô. Você sabe onde fica a chave reserva. Lisa ainda está dormindo. Temos mesmo que ir antes que caia outra tempestade.
Marcos atravessa a rua, entra no carro e antes que a esposa abra a boca diz.
- Paula, elas que são adultas que se entendam.
- Mas Marcos, Lisa será pega de surpresa. Não é correto.
- Talvez seja o melhor. Deus faz as oportunidades. Cabe a nós fazermos valer à pena.
Paula silencia. Talvez Marcos esteja certo. Às vezes o melhor é lavar as mãos e deixar os filhos enfrentarem seus dilemas.

Com o coração aos pulos Jô adentra a casa dos pais de Lisa. Respira fundo várias vezes tentando se acalmar e devagar caminha em direção ao antigo quarto da loira. Ao entrar estaca emocionada. Lisa dormia tranquilamente, a expressão do rosto totalmente relaxada. A boca úmida e entreaberta convida a beijos apaixonados. Devagar se aproxima da cama sussurrando baixinho o nome do antigo amor. Lisa inconsciente se mexe sobre a cama colocando-se de bruços e expondo as costas nuas. O coração de Jô dispara. ‘Ela estava nua!’. O lençol a cobria até a cintura expondo a suavidade das costas delicadas. Devagar quase com referencia Jô a toca, deslizando os dedos por sua coluna. Lisa geme suavemente. Sem conseguir se conter Jô senta-se a beira da cama e, suspirando, desliza agora as duas mãos pelo corpo desejado. Passa as mãos pela lateral do corpo de Lisa sentindo o contorno dos seios. Sem pensar se é certo ou errado afasta o lençol e não consegue conter o gemido rouco ante a visão da nudez de Lisa. Fascinada não consegue desviar o olhar do corpo perfeito. Sentindo uma emoção há muito tempo esquecida, toca as nádegas de Lisa as apertando com delicadeza. Esta afasta ligeiramente as pernas, quase inconscientemente. Joyce não consegue tirar o olhar da loira indefesa e exposta e suavemente adentra a mão por entre as pernas de Lisa a tocando intimamente. Lisa dá outro gemido e suavemente abre as pernas como a permitir um toque ainda mais profundo. Isso descontrola totalmente Joyce que se inclinando sobre a outra começa a distribuir beijos pelas costas amadas. Lisa geme mais alto ao sentir a língua deslizar por toda a extensão de seu corpo e vira-se para cima abraçando a morena. O beijo inevitável estremece os corpos insaciados e imediatamente Jô se põe sobre Lisa esfregando seu corpo no dela. Desliza os lábios ate alçar os seios rosados e os chupa enlouquecida. Tinha Lisa novamente nos braços.
Lisa gemia enlouquecida. Que sonho maravilhoso estava tendo. Luiza deslizava as mãos por seu corpo e a beijava enlouquecida. Seus seios eram degustados quase com desespero e ela os oferecia ansiosa pela satisfação que não tardaria. Abraça a amada e sussurra sedutora.
- Me come amor... Me faz sua... Me mostra seu desejo.
Joyce, sem acreditar no que acontecia, desce a boca até o sexo da loira e a chupa. Como era maravilhoso sentir o gosto de Lisa. Nunca esquecera este sabor. Geme baixinho e a saboreia por longos minutos antes de colocar língua dentro de Lisa.
Esta suspira extasiada.
Joyce se ergue novamente em direção a boca de Lisa e a beija apaixonadamente. Toca-a intimamente e quando a penetra Lisa não consegue conter o grito.
- Lu!!! Ah Lu, que saudade amor!
Abre os olhos a querer ver o rosto moreno transformado pela paixão e arregala os olhos em choque.
- JÔ!!!
Joyce decepcionada e angustiada sente o coração sangrar ao ver a expressão horrorizada da loira.
Com um grito, agora revoltado e desesperado, Lisa tira os dedos da morena de dentro de si e impulsiona o corpo para cima, atirando Joyce que estava desprevenida no chão.
Enrola-se no lençol e ergue-se da cama encostando-se nervosa no armário às suas costas.
- Você é louca? Que estava fazendo? Saia de meu quarto!!
Joyce se levanta do chão ainda mais nervosa.
- Louca é você! Como ousa dizer o nome de outra ante meu toque?
Lisa a olha abobada e revoltada.
- Porque para mim era a ‘outra’, que por acaso é minha namorada, que me tocava!
Joyce engole em seco e passa as mãos nos cabelos negros. Lisa acompanha seu gesto ainda mais nervosa. A morena era tão linda que às vezes isso lhe parecia um afronta a força de vontade de não ceder.
- Saia de meu quarto Jô. Agora!
- Sair? SAIR? Você quer que eu fique Lisa! E sabe disso. Você pode negar muitas vezes, quantas quiser, mas você adora meu toque. – Joyce tenta esconder a decepção que sentia em pensar que Lisa gemia, não para ela, mas sim para a... outra.
- Seu toque!! Você abusou de mim! Aproveitou que eu dormia! Meu Deus Jô, não imaginei que descesse tão baixo. Esfrega a mão na testa quase deixando o lençol deslizar sobre o corpo. O segura mais forte ao ver os olhos negros se desviarem para seus seios.
- Saia daqui!!!!!
Joyce se aproxima dela ainda angustiada.
- Sei que o que fiz não foi correto Li, mas... Você estava tão linda dormindo... tão... você. Eu... – Passa novamente as mãos tremulas no cabelo – Eu não resisti. Precisava tocá-la.
Lisa suspira tensa. Aperta as pernas e sente revoltada o quanto estava molhada.
- Lisa... Olha – Jô ergue as mãos – eu to entregue. Eu tô aqui me expondo para você. Tudo bem, eu errei, mas... está além de mim. Eu... ainda amo você.
Lisa a olha ainda mais chocada.
- O que???
- Eu... nunca esqueci você Lisa. E Deus sabe o quanto tentei. Seu toque... seu corpo... – Ergue a mão e desliza os dedos pelo colo de Lisa. – Tão suave... tão... certo.
Lisa fecha os olhos ante as palavras sussurradas suavemente e o toque delicado. Sente o corpo estremecer quando Jô segura sua mãos.
- Você é maravilhosa Loirinha. Te quero tanto!
O lençol desliza para o chão expondo mais uma vez a nudez de Lisa. Joyce sorri deliciada e então aperta os seios claros.
- Você está gostando não é? Adora ser tocada nos seios. Sempre gostou. – lambe os biquinhos rígidos. – São deliciosos... Que saudade nossa!!
Lisa espalma as mãos no armário atrás de si e geme ao sentir os lábios de Jô descerem por seu corpo. Esta se ajoelha diante dela e começa a sugar entre gemidos roucos o clitóris inchado da loira.
- Li... Li...
Sem se conter Lisa começa a movimentar os quadris. Joyce se ergue e novamente aperta os seios maravilhados. Ansiosa a penetra com os dedos e suspira ao sentir o interior tão úmido e sequioso. Era tão bom! Tão bom! Sorri vitoriosa e cheia de prazer.
- Vê Li... não adianta lutar. Você me pertence. Você sempre será minha!
Ao escutar as palavras Lisa sente um baque no coração. Abre os olhos e cessa os movimentos do corpo. Joyce sem se aperceber da quietude repentina da loira continua a tocá-la apaixonadamente.
- Li... Li... – sussurra e a olha apaixonadamente. O olhar de Lisa estava claro. Tão claro quanto se lembrava quando a vira partir a tantos anos atrás. Seu coração se desespera ante este olhar. Nunca o passado se fizera tão presente.
- Lisa? NÃO!! Lisa você é minha!
Agarra a loira em desespero, a beija enlouquecida e a penetra ainda mais profundamente. Lisa começa a se debater em seus braços.
- Me solte! Me deixe!
- NÃO!!! Não de novo! Você não vai me deixar! Você é minha Li!!!!
- Joyce! Me solte!
Consegue se libertar dos braços morenos e coloca uma distancia segura entre elas. Jô imediatamente se apoia no armário começando um choro sentido.
Lisa a observa em silencio. O coração antes tão magoado começa a se acalmar. Devagar caminha em direção à mala, de onde tira um vestido de verão que põe sobre o corpo nu.
Suspirando senta-se sobre a cama.
- Jô... Precisamos conversar.
- Não... Lisa... de novo não... você não pode...
Lisa tensa esfrega os dedos na testa e ergue o olhar para a morena que a observava agora numa pose de total derrota. Nunca o silencio dissera tanto entre elas. Quando Jô dissera que lhe pertencia Lisa imediatamente sentira o coração gelar. Esta a sua frente não era sua “dona”. O rosto de Luiza surgira ante seus olhos e o corpo todo esfriara, a paixão por Jô toda se esvaíra. Finalmente mente corpo e coração se uniam na certeza que somente uma mulher poderia satisfazer todos os seus desejos, ânsias e paixões. Somente uma mulher poderia completá-la e a fazer a mulher mais feliz do mundo. A felicidade lhe pertencia e nunca isso lhe estivera tão claro e presente em sua vida. Luiza era sua amiga, sua amante, seu AMOR. O desejo por Jô se fora... assim como se fora todo o passado.
O olhar de Lisa mais uma vez feria o coração de Joyce. Tão claro, mas com uma luz diferente. Joyce sente mais uma vez as lágrimas virem aos olhos. Estava derrotada. Não mais lhe importava Lisa ver isso. Olha novamente para Lisa que a olhando com um misto de pena e certeza.
- Não me olhe assim!!!! NÃO ME OLHE ASSIM! Lisa! Eu te amo!
- Não Jô, você não me ama. Você só ama a si mesma. E sabe... Acho que apesar de tudo você é feliz assim.
- Não é verdade! Lisa... Você sabe que gosta de meus toques.
- Não é que goste Jô. Na verdade eu estava presa ao passado. Você é uma pessoa única e marcante em minha vida. – Olha para a morena na certeza de suas palavras – Jô, nunca poderei negar que te amei. Mas como a adolescente que fui e não como a mulher que sou hoje. Esta mulher já tem um amor que a completa e realiza.
Joyce sente os ombros pesarem nas costas. Parecia que toda sua energia esvaia do corpo. Caminha devagar até a cama e se senta derrotada ao lado de Lisa que delicadamente lhe segura as mãos.
- Jô... finalmente o passado está onde deve estar. Você é linda, mas não é meu amor. Não mais.
- Você... Lisa... você gemeu em meus braços... você me quis.
- Não posso negar isso. Sabe... eu não conseguia separar as coisas. Passado, presente, tudo parecia a mesma coisa dentro de mim. Na verdade eu queria resgatar a gente, o que tivemos. O que não percebia era que isso é impossível. Porque não somos mais as mesmas não é?
- Fale por você Lisa! Continue! Tente se enganar! Você sabe que tudo isso é ilusão de sua mente! Nunca aceitará né! Nunca aceitará que sou eu que te farei feliz!
- Jô... Jô... – Lisa a olha tristemente. Era incrível como a conscientização de um sentimento fazia com que toda a paixão fosse embora. Era como se de repente ela se torna-se Joyce... simplesmente. A amiga de infância, a companheira de brincadeiras. A paixão sumira e com isso resgatara os sentimentos de carinho e afeto.
- Jô... eu... gosto de você. Mas não mais como amante, como... companheira. Você é minha amiga!
- NÃO QUERO SUA AMIZADE!! QUERO SEU AMOR!
- Que amor Jô? Um amor omisso, escondido, do qual se envergonha?
- Não é assim... Você não entende!
- Entendo melhor que pensa Jô. Olha, está na hora de nos focarmos em quem verdadeiramente amamos ou queremos. Volte pra casa, converse com seu marido, me esqueça, esqueça o passado. Não sou mais parte de você e nem você de mim.
Joyce sente o coração estremecer. As palavras de Lisa eram tão definitivas! Tinha vontade de agarrá-la, mostrar que suas palavras eram vazias, superficiais. Mas era como se a loira tivesse erguido uma barreira invisível sobre seu corpo. Sentia-se intimidada, insegura, perdida. Todo o poder que acreditava ter sobre os sentimentos da outra, pareciam agora fantasias de sua mente. Solta as mãos das de Lisa e abraça o próprio corpo balançando-se para frente e para trás.
- Jô... Para com isso! Lisa sentia o coração apertar. Mesmo ela não conseguia entender tudo que acontecera. Como que diante da paixão pela outra, viera a certeza que não a amava, não a queria.
Nunca se sentira tão leve na vida, tão certa sobre qual caminha deveria trilhar. O pensamento se volta para Luiza. Precisava tanto vê-la, contar seu amor, suas verdades.
- Vou embora.
Lisa desperta de seus pensamentos e observa Joyce se erguer da cama e caminhar tropegamente em direção a porta.
- Jô, espera! Não vai assim. Vamos conversar.
- Apenas me deixe ir Lisa. Apenas... Me deixe partir.
E sai, fechando a porta devagar. O coração parecia querer explodir no peito de tanta dor. Viera à casa de Lisa com a certeza que conseguiria tudo dela. Seu corpo, sua mente, seu amor. E saia com a certeza que a perdera. Não havia como explicar isso. A postura do olhar, do corpo de Lisa, tudo a colocava fora de seu alcance. A paixão não superava um amor verdadeiro essa era a verdade. Usara o passado para seduzi-la e saia com um presente sombrio. Olha para trás, para a porta fechada e sente mais uma vez os olhos se encherem de lagrimas. Nunca o amor em seu coração fora tão verdadeiro. E por isso partia.
Lisa ouve os passos se afastarem. Suspira triste e ao mesmo tempo aliviada. Um sentimento de alegria e tristeza dentro de si se faz presente. Alegria por redescobrir em Joyce, seu amor do passado, a amiga verdadeira e única. Vê-la sem magoas e sem dor. Era como recuperar o melhor do passado sem ter que vivenciá-lo a cada dia. E tristeza por permitir que toda a magoa e dor as fizesse perder o melhor de ambas. A amizade e o carinho de toda uma vida.
Um momento único e derradeiro sentido de formas tão diferentes por ambas.
Lisa, pensativa e extasiada, se alegrava com a certeza de seu amor por Luiza e com a nova historia de amor que construiriam juntas. Suspira suavemente e olha o relógio. Será que ainda haveria tempo de trocar a passagem e antecipar a volta para São Paulo?
Joyce, derrotada e infeliz, caminha pela calçada com a certeza que nunca mais teria seu amor nos braços. Para e olha para trás, para a casa que acabara de deixar. Fora momentos tão bons... Tão únicos. Seriam gravados para sempre em seu coração. Suspira como que conformada. Volta a caminhar cabisbaixa e observa o traçado uniforme e reto das pedras que pisava. Era um caminho certo, com destino único. Igual o destino que ela escolhera e que traçaria para sempre em sua vida.

A gente não se liberta de um hábito atirando-o pela janela: é preciso fazê-lo descer a escada, degrau por degrau.
(Mark Twain)

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Capítulo XVII


Paula olha as horas. ‘Quase 12h e Lisa não se levanta’. Estava preocupada, pois sabia que a filha saíra na noite anterior com Joyce. Ainda pensava se a acordava ou não quando a campainha toca.
Mariana sorri quando Paula abre o portão.
- Ei madrinha! Lisa já tá pronta?
- Ei Mari. Filha, ela ainda nem levantou.
- Como não!? Ficamos de passar a tarde no shopping – Mariana faz um ar de decepção, mas este não dura muito tempo. – Vou lá acordá-la. Vim mais cedo pra almoçarmos juntas.
Paula prefere silenciar e com o olhar acompanha a afilhada ir em direção ao quarto que Lisa dormia. Balança a cabeça preocupada. ‘ Detesto sentir que algo de muito errado pode acontecer. Lisa e problemas parecem caminhar juntos em BH’
Mariana abre a porta do quarto vagarosamente. O ambiente já bem claro iluminava a silhueta de Lisa sobre a cama. Devagar se aproxima e percebe no rosto da loira uma expressão tensa e olheiras bem profundas. Sua expressão se modifica de alegre para preocupada e com movimentos cautelosos senta-se na beira da cama. Desliza o olhar sobre o corpo de Lisa vislumbrando os contornos deste por baixo do lençol que a cobria. Suspira enlevada e assim permanece a velar pelo sono de Lisa por longos minutos.
- Ela não acordou Mari?
Mariana salta da cama ao chamado da porta. Assustada vê Paula a encarando interrogativa.
- Er... não ...eu... Tô com dó de acordar ela. Tá dormindo tão gostoso!
- Pois trate de acordá-la. Já é meio dia. Isso não é hora de estar na cama – Paula olha a filha preocupada.
- Ok madrinha, já vou acordá-la.
Mari acompanha Paula sair do quarto e volta o olhar para Lisa. ‘ Dó viu. ’
Aproxima da cama e sacode Lisa delicadamente.
- Li? Acorda. É meio dia. Acorda vai.
- Ai me deixa! Lisa se vira de costas e põe o travesseiro sobre a cabeça.
- Li, sua mãe tá chamando... Olha acorda. A gente combinou sair lembra? – Mari mais uma vez sacode Lisa delicadamente.
Lisa ouve uma voz ao longe, mas ignora. Resmunga baixinho e volta a dormir.
- LISA ACORDA!!!
Lisa grita e levanta apavorada olhando para os lados assustada.
- TÁ LOUCA!
Mariana põe a mão na boca. Às vezes usava este método para acordar a mãe, mas esta nunca dormia nua. Seus olhos deslizam deslumbrados por todo o corpo de Lisa. ‘ Uau... uau... uau... UAU’
- Mariana? Que faz aqui?
Lisa põe a mão sobre o coração e respira fundo.
- Mariana?
A loira vê o olhar da jovem fixo nela e se olha indagativa. Nua! Ela estava nua!
- Hã... Acho que já viu uma mulher nua antes acredito.
Mariana desvia o olhar dos seios delicados.
- Eu... já... na academia é um desfile.
Lisa caminha pelo quarto tentando aparentar naturalidade. Nunca tivera inibições com seu corpo, mas aquela jovem de 15 anos conseguira com um olhar constrangê-la.
Abre a gaveta pega a roupa de baixo e sem olhar Mariana caminha em direção ao banheiro.
- Vou tomar um banho rápido. Um minuto ok.
Mari acompanha Lisa descaradamente em direção ao banheiro. Não conseguia desviar o olhar de Lisa.
- Er... Você percebeu as horas Li?
Lisa sem graça de fechar a porta na cara da jovem entra no Box e liga o chuveiro.
- Não Mari. Que horas são?
- Meio-dia.
- QUE?
- Pois é. Eu vim ver se podíamos almoçar no shopping.

Lisa suspira tensa. Não conseguira dormir bem à noite. Ensaboa o corpo sem se aperceber que sua silhueta era visível a Mari que se encontrava sentada no vaso sanitário. Mari não sabia explicar o que estava sentindo. Acompanha Lisa passar o sabonete sobre os seios e descê-lo ate a virilha. Não consegue desviar o olhar do sexo de Lisa mesmo quando esta para de ensaboá-lo. O coração dispara quando Lisa vira-se de costas para ela. Começa a sentir um calor sufocante e sem ar se levanta e caminha para fora do banheiro.
- Vou à cozinha ver se madrinha quer alguma coisa.
E sai praticamente fugida dali. Já no quarto geme assustada. Ergue as mãos e as observa tremulas.
‘ Mari idiota, você pra ela é uma adolescente. Uma criança. Ela nem ligou de ficar nua na sua frente. Nem te vê como mulher. ’ Suspira procurando acalmar o coração. Queria tanto ser mais velha. Sem se aperceber os minutos vão passando e ela ali... parada no meio do quarto.
- Uai Mari, não foi na cozinha?
Mari dá um pulo apavorada.
- Caraca!!!! Quer me matar? Que susto!
Lisa gargalha divertida.
- Bem feito! Tá descontado.
Só de calcinha e sutiã vai ate a mala de onde tira um jeans justo e uma blusa de alcinha.
- Parece que o dia esta quente né. Comenta observando a forma que Mariana se vestia. Esta usava jeans justo e uma mini blusa verde que realçava os olhos delineados com rímel.
- Super quente. – Mari se sentia sem palavras. Só sabia observar Lisa que após se vestir vai em direção ao espelho. Acompanha com o olhar Lisa escovar os longos cabelos e aplicar uma suave maquiagem no rosto.
- Tudo bem Mari? – Lisa observa a jovem pelo espelho. Percebia o olhar fascinado da mesma, mas não punha maldade nele.
- Tudo... Mari se senta sobre a cama e suspira.
Lisa se vira para ela. Estranho; Mari era a cara de Joyce, mas ao mesmo tempo era tão diferente.
Joyce carregava uma energia muitas vezes sufocante. Era agitada e extrovertida. Mariana já parecia ser mais ponderada, fechada.
- Está tudo bem Mari?
- Ah? – Mari olha surpreendida para Lisa – Está sim... Por quê? Parece não estar?
O ar de culpa no rosto da jovem deixa claro que esta escondia algo.
- Não... Não parece. Foi só uma pergunta. Bem... Vamos sair?
Já no shopping as duas andam e se divertem olhando vitrines e comentando as roupas da moda. Lisa não consegue deixar de comparar Mari com Joyce. Em sua mente voltam as lembranças das duas adolescentes rindo e brincando no shopping... A briga, a raiva que sente quando Junior atrapalha o programa das duas. Parecia tudo tão distante. Tudo mudara, inclusive elas. Devagar se vira para Mari que ria e caminhava contando casos da escola. Como ela era diferente de Jô e até dela mesmo. A postura era mais adulta, as conversas mais centradas. Mari para de falar momentaneamente e a olha encabulada. Nesse momento Lisa se apercebe que a estava encarando fixadamente.
- Desculpe Mari... Não pude deixar de fazer comparações entre você e Joyce. Vocês são tão diferentes.
Mari para e volta o corpo para a loira. Os olhos verdes e profundos não revelavam seus pensamentos. Impressionante como seus olhos eram brilhantes e misteriosos. Não pareciam pertencer a uma jovem de 15 anos. É como se fosse um espírito velho no corpo de uma jovem. ‘É isso’, pensa Lisa ‘ os olhos são o espelho da alma’.
- Talvez sim Lisa, talvez não.
Volta a caminhar, desta vez em silencio. Lisa lhe acompanha os passos também calada.
- Sabe Lisa. Muitas pessoas dizem que pareço com minha mãe. Tento realmente ver isso, mas não dá. Sou geniosa sim, mas não carrego aquela carga que minha mãe carrega.
- Carga?
- Sei lá. Um peso sabe. Eu... Minha mãe não é feliz. Ela finge ser, mas não é. Fico boba como ela deixa as coisas acontecerem e finge não ver. Eu não sou assim. Eu gosto de pensar que sou mais corajosa sabe. Falando serio Lisa, me espelho muito em você.
- Em mim?
- É... Quando soube que você gostava de... mulheres eu nem liguei. Ao contrário, amei a forma como você assumiu sabe. Tenho raiva quando falam mal de você e tal. Pra mim é exemplo. Posso te perguntar uma coisa?
- Hã... Pode.
- Minha mãe cortou relação com você porque revelou que era sapa... er... lésbica?
Lisa engole em seco. Como responder sem mentir?
- Bom Mari... Isso é um assunto delicado. Me impressiona você aceita-lo tão bem.
- Nem sei se aceito sabe. Na verdade eu acho tão natural, sei lá. Não vejo nada demais. Pra mim é a mesma coisa Li. Acho pior quando vejo essas meninas que ficam direto com os caras por ai. Sabia que na minha sala até fazem apostas de quem fica com mais carinhas na noite? É ridículo demais meu! Prefiro a sapata ali que curte sua menina e fica na dela à putinha da escola. É muito mais gente.
- Vou ignorar o termo sapata – Lisa diz rindo – mas gostei de sua posição.
Mari põe a mão sobre a boca.
- Ui Li não disse pra ofender.
- Não ofendeu linda. Lisa sorri e passa o braço por seu ombro.
- Mas ainda não me respondeu de minha mãe Lisa. – Ante o silencio da loira continua – Eu tenho uma lembrança vaga de um dia que você foi à minha casa e vocês duas brigaram. Sei que você foi embora sem despedir e minha mãe... Ela chorava igual um bebê. Nunca tinha visto minha mãe chorar assim. Talvez por isso guardei este dia na memória.
Lisa estremece. Este dia também não sumia de suas lembranças. Balança a cabeça como a afastar os fantasmas do passado.
- Mari... Tem muitas coisas que contribuíram para que eu e sua mãe nos afastássemos. Mas com certeza o rompimento final foi porque eu resolvi me assumir. Minha família já sabia e aceitava. Com certa dificuldade, mas ficaram de meu lado. Já sua mãe... ela... temeu o falatório e tudo mais. E não quis mais nossa amizade.
- Mas Li, burra dela! Você sempre esteve do lado dela. Como ela te faltou quando você precisou?
- Mari, na verdade foi uma decisão mutua. Eu também não quis mais manter a amizade. Infelizmente a vida muda as pessoas. Eu e sua mãe mudamos.
- Mas não entendo!
- Melhor assim Mari. Quanto menos pessoas entenderem melhor. O que você tem que fazer é pensar no presente e futuro. Sua mãe pode ter seus defeitos, mas lembre-se que ela não impediu que você mantivesse contato comigo, mesmo com nossas desavenças ok.
- Eu sei...
Mariana encara Lisa encabulada. Gostaria de conversar com ela sobre seus conflitos, seus sentimentos. Mas algo em seu interior dizia que se mantivesse em silêncio. Lisa não era a pessoa que nesse momento a compreenderia e apoiaria.
- Vamos comer? Tô varada!
Lisa ri e acompanha Mari. A tarde prometia ser prazerosa e relaxante.
Luiza novamente pega o telefone para discar para Lisa. E novamente o põe no gancho. Nenhum contato, nem terça, nem quarta. A tensão deixava marcas em seu rosto. Tudo bem que decidira dar espaço para Lisa, mas esquecera que o coração nem sempre acata as decisões da mente.
O telefone toca a tirando de seus pensamentos.
- Oi, diz meio grossa.
- Hã... Doutora Luiza... Telefone para a senhora... É a Doutora Lisa.
- Lisa!!! Passa logo menina! Ansiosa aguarda a transferência da chamada.
- Lisa?? Lisa?
- Lu!!! Que bom te ouvir!!
- Lisa! Ei! Que barulhada é essa?
- Estou no shopping com Mariana! Vamos almoçar e depois estamos pensando em ir ao cinema. Mas liguei para saber de você.
- Eu estou bem amor... E por ai?
- Razoável.
- Por quê?? Acontece algo? Você... fez algo?
- Hum... Conversamos ai. Mas... nada aconteceu para temer ok. E... Estou com muitas saudades Lu. - A voz de Lisa abaixa o tom - Você me faz falta amor.
- Li...
- Sinto falta de seus braços, de seu toque, de você.
Luiza respira saudosa.
- Você... volta?
Lisa percebe as varias perguntas não ditas em cima da pergunta feita.
- Volto. Eu volto. Lu tenho que desligar. Te ligo a noite ok. Beijos amor.
Luiza põe o fone no gancho. Percebera um tom inseguro na voz de Lisa. Ainda assim o coração parecia mais leve.
‘ Quer saber? Vá à merda Lu, você e seu ultimato ridículo. Lisa não terá chance de escolha. A opção dela será eu... ou eu. ’
Levanta-se da cadeira, a pose mais arrogante que nunca. Sentia-se confiante. Nada como recuperar o velho ímpeto. ‘ Burrice Lu, você entregando seu amor assim de bandeja pra mongol mineira. ’
Uma suave batida na porta lhe tira de seus pensamentos.
- Doutora Luiza? – A enfermeira adentra o consultório. – tem um senhor a sua procura na recepção.
- Senhor? Tenho alguma consulta marcada para este horário?
- Não senhora. Ele disse que é um amigo seu.
Um tanto surpresa e desconfiada Luiza caminha em direção a recepção.
Qual é a sua surpresa ao ver parado a sua espera... o marido de Joyce.
Carlos sorri quando vê Luiza caminhar em sua direção. A mulher era realmente de parar transito. Uma beleza madura, forte e atraente.
- Er... olá? –Luiza não consegue esconder a surpresa ante a presença do marido de Joyce.
- Olá Luiza! Que bom vê-la. Espero não ser uma surpresa desagradável.
- Mas... Como? Quer dizer... como sabe que trabalho aqui?
- Bom Marcos, no dia da festa, me disse o nome da clinica aqui em SP onde a filha trabalhava. Como disse que trabalhavam juntas foi fácil. - Sorri carismático ciente do poder que exercia nas mulheres. - Mas espero não estar sendo inconveniente. O caso é que estou a trabalho em SP e não vi mal em vir vê-la e convidar para almoçarmos juntos.
Luiza suspira exasperada. O cara não via mal?? Santa paciência!
- Olha... Carlos não é!? Infelizmente eu não posso sair para almoço. Tenho um cliente daqui a alguns minutos. Mas espero que sua estadia corra bem em SP.
Vira-se para se retirar, mas Carlos a segura pelo braço.
- Bom... e um jantar? Reconheço que fui impulsivo vindo aqui sem avisar, mas... poderíamos jantar juntos? Olha você não se arrependeria. Acredito que vai adorar. Sei ser... prazeroso quando quero.
- Prazeroso e atirado pelo que vejo.
- Ora Luiza. A vida é curta. E sempre nos surpreende. Aprendi que não devemos perder tempo. E gostei de você.
- Deixe-me entender. Você gostou... e então decidiu vir a meu encontro. Estou certa?
- Exatamente!
Luiza o encara séria. Suspira, tira a mão de seu braço e com um gesto convida Carlos a acompanhá-la ate uma sala reservada.
- Carlos, melhor me acompanhar. Acho que... precisamos conversar melhor.
Carlos feliz a acompanha. Não existiam mulheres sapatas. Existiam mulheres mal amadas e servidas. Logo Luiza entenderia o que estava perdendo e estaria em seus braços.
Já dentro da sala Luiza se vira devagar para o espécime masculino a sua frente.
- Bem Carlos... o chamei aqui por um motivo obvio. Gostaria que fosse claro em seus objetivos.
- Como? Ora Luiza, não existe motivos. – Carlos sorri simpático. – Você é amiga de Marcos e Paula que são pessoas que quero muito bem. Sou sempre aberto a novas amizades.
- Também os quero muito bem Carlos. – Arrogante Luiza o encara agora mais firmemente. – Até porque são os pais de minha namorada. E como tal não acho conveniente sair com você.
Carlos sente o colarinho de a camisa apertar seu pescoço. Não esperava que Luiza fosse tão direta.
- Er... eu não sabia. Mas... que mal há nisso? Podemos ainda assim nos divertir na companhia um do outro.
- Ok Carlos... serei ainda mais direta. Não me interessa fazer amizades com sua pessoa. Não tenho porque almoçar ou jantar com alguém que não tirou os olhos de meu decote na festa da própria filha, sentado ao lado da própria esposa.
- Você esta enganada Luiza. - Carlos apura o corpo e fecha a expressão buscando intimidar a medica. – Não existe segundas intenções em meu convite.
- Mesmo? Faz isso com todas as pessoas que conhece em festas?
- Não, claro que não. Você esta me interpretando errado.
- Então vejamos. Será que você não seria mais um que acredita que eu, como lésbica, preciso na verdade de um bom macho para conhecer o verdadeiro prazer sexual?
Carlos emudece e encara a medica surpreendido.
- Carlos... esse discurso é tão tediante. Vocês homens não o mudam. Sinceramente, se quer trair sua esposa busque alguém que goste do que tem abaixo da cintura ok. Agora se puder sair de minha sala agradeço.
- Você se acha mesmo hem doutora Luiza? Estou surpreso. É uma pena, mas terei que decepcioná-la. Acredita realmente que vim com esta intenção? Eu vim aberto a uma amizade. O fato de você ser lésbica não me incomoda. Se não queria sair comigo bastava um não.
- Ok. Não.
- Não?
- Não. – Luiza o olha irônica.
Carlos sente a raiva e decepção brotar dentro de si. Raramente uma mulher não se deixava levar por seu carisma e simpatia. Olha a bela mulher a sua frente e novamente o inconformismo se instala dentro dele. A desejava e ela vinha dizer não? Que era... sapata? A frustração o dominava.
- Sinceramente, não entendo realmente você gostar de mulheres. Nunca será uma relação completa. Isso não é normal!! A mulher foi feita para o homem e não existe outra opção. Não é coisa de Deus!
- E é coisa de Deus você pegar um avião, vir a outro estado e trair e desrespeitar sua esposa. Seu Deus é bem conivente. – Luiza cruza os braços e o encara com falsa benevolência.
- Isso não lhe diz respeito. - Carlos se aproxima de Luiza. – Olha se dê uma chance. Vai gostar de estar comigo eu garanto.
Luiza longe de se sentir intimidada dá um sorriso irônico e arrogante ao advogado.
- Estranho... Muitos homens me cantam, mas você me passa algo de insatisfatório. – Põe a mão sobre o queixo e sorri descendo o olhar gelado pelo corpo do advogado – É isso. Você me passa frustração sexual. Sendo casado, imagino que deva ser do casamento.
- Saia comigo e vera o quanto está enganada – Carlos sorri altivo.
Luiza continua como se não o tivesse ouvido.
- Com a mulher ma-ra-vi-lho-sa que tem em casa, imagino que ela o esteja recusando. É isso Carlos? Sua esposa não o quer mais? Não consegue satisfazê-la?
- Você não sabe nada de minha vida pessoal. A situação aqui é entre nós. – Carlos fica serio.
- Não existe nós Carlos. Existe você, e sinceramente está me causando pena. Vá para casa e tente convencer sua esposa que ainda tem um bom pinto em funcionamento. Não corra atrás do impossível. – Arrogante Luiza abre a porta e o encara fria. – vamos fingir que este momento não aconteceu.
Carlos não quer dar fim ao embate entre eles. A presença da morena o motivava e não queria perder isso.
- Olha pode ate ter razão. Meu casamento não anda muito bem. Vamos sair como amigos... Nada mais que isso. Podemos somente conversar.
- Não sou psicóloga Carlos. Seus problemas não me interessam. Não estou aberta a amizades. Não gosto de homens. Fui clara? Agora adeus – E aponta a saída.
Carlos abre a boca, mudo, varias vezes sem achar um motivo para permanecer na sala. Passa por Luiza apressadamente e se retira indignado da clinica.
‘Santa paciência. Eu mereço. E depois ainda perguntam por que cada dia mais aumenta o numero de lésbicas no mundo. ’

"Espere o melhor, prepare-se para o pior e recebe o que vier".
(Provérbio chinês)

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Capítulo XVI

- Alô.
- Joyce?
-O coração de Jô acelera
- Lisa?
- Sim... sou eu. Er... tudo bem?
-...
- Jô?
- Eu... não... na verdade não muito bem. Mas isso não vem ao caso. Deseja algo? Deve ser sério para ligar em meu escritório. Aliás, como conseguiu o numero?
Lisa sente a opressão já presente no peito aumentar. Já fora difícil ligar e ainda Jô a trata assim. Complica viu.
- Minha mãe me passou. Não quero te ocupar Jô. Na verdade estou ligando para ver se não importa de Mari passar a tarde comigo na quarta.
-Mariana, Lisa. Olha, eu já havia dito a ela que não gostaria que faltasse com seus afazeres.
- Ela me disse Joyce. O caso que será só na quarta. Realmente gostaria de estar um tempo com ela. Sei que temos nossas diferenças, mas... sabe que tenho muito carinho por Mari. Eu... estou pedindo.
Joyce não consegue explicar seus sentimentos no momento. No seu intimo sabe não ser justo afastar a filha de Lisa que sempre fora muito atenciosa com esta. O problema era o ciúme que sentia da relação das duas.
- Olha Lisa, vou pensar ok.
- Jô... por favor. Hoje já é terça. Eu não vou conversar nada que possa trazer transtornos a vocês. Sabe disso.
- Lisa vou fingir não entender sua insinuação.
- Não houve insinuação que isso!
- Ora me faz o favor! Te conheço a longa data.
- Mas eu não insinuei, que coisa! Como sempre você enxerga mais do que realmente existe.
Joyce segura a resposta. Lisa quer sair com Mariana? Ok que seja. Mas antes teria que ser com ela.
- Está bem Lisa, você pode sair com ela, mas com uma condição.
- Qual?
- Saia comigo hoje.
- COMO?
- Sabe que precisamos conversar. Lisa veja bem. Não te conheço mais, nem sua vida. O que sei é através de sua mãe que convenhamos nunca é uma fonte segura.
- Cada dia me choco mais com você Joyce! Não estou gostando nada de seus comentários
- Até parece que teve tanto contato assim comigo para estar em constante choque. Olha tenho que trabalhar. Pode me encontrar na Savassi as 20 h? No Pizzaiolo?
- Eu... E o maridão Joyce? Será que ele não vai estranhar a amada sair em plena terça a noite? – Lisa não consegue segurar a ironia para seu próprio desgosto.
- Hum... Senti um despeito na sua voz por acaso? Relaxa Lisa. O marido é meu. Mas só para tranquilizá-la ele esta viajando a trabalho. Beijos.
Joyce desliga o telefone com o coração na boca. Conseguira um encontro com Lisa. Tenta controlar a ansiedade. ‘ Respire Jô. Ai meu Deus... que fiz? ‘ Passa a mão nos cabelos. Respira fundo várias vezes. Olha a documentação sobre a mesa. Levanta-se pega a bolsa e se retira do escritório. Não conseguiria mais trabalhar por hoje.
Lisa desliga o telefone apavorada. Como no passado Joyce conseguira com ela fizesse exatamente sua vontade. Sente o ar lhe faltar e começa a suar frio. Um... encontro com Joyce? Era tudo que menos queria. Levanta-se ansiosa e começa a andar pela sala em círculos.
- Que foi Lisa?
- Hã, oi mãe. Eu... Joyce quer que eu saia com ela hoje. Só assim deixa Mari sair comigo acredita?
Paula arregala ligeiramente os olhos. Estava surpresa com a atitude de Joyce.
- Bem filha, acredito que ela queira conversar, tentar se entender com você. Às vezes pode ser uma coisa boa.
- Ah mãe, nem você acredita nisso. Jô não dá ponto sem nó. Que raiva. Me sinto uma idiota.
- Bem filha... Tente tirar algo bom disso. Está mais que na hora de vocês deixarem o passado para trás.
Lisa olha a mãe nervosa.
- Mãe o passado esta onde deve estar. No passado. Que coisa. Que mania vocês tem de achar que o passado ainda é presente.
- Bem filha, vendo sua atitude eu não diria que ele é só presente. É um presente assustador. Melhor ir tomar um banho e tomar um calmante. E Lisa... Sem fazer nenhuma besteira ok.
Paula sai da sala tranquilamente. Lisa com os olhos arregalados repassa as palavras da mãe na mente. ‘ Besteira? Que besteira eu faria? Até parece! ‘ Esfrega a testa nervosa. ‘Devia ter voltado pra SP’

Joyce entra em casa agitada.
- Mãe!!!
- Meninos, calma – Rindo abraça os filhos carinhosa.
- Tá cedo em casa mami.
- Pois é querido. Mamãe terá que sair a noite. Mas a vovó vem ficar com vocês ok.
- Vai sair mãe?
Joyce se vira assustada para a porta.
- Ah, olá Mariana. Sim, vou sair com uma... amiga. Colocar a conversa em dia.
- Por isso veio mais cedo pra casa?
- Sim. Bem, vou tomar um banho. Ahh! Mariana!
- Hum?
- Lisa me ligou.
Mariana olha ansiosa para a mãe.
- E ai? Mãe, não tem nada de mais eu dar umas voltas com ela no shopping.
- Mariana, Lisa é... Você sabe bem o que ela é.
- E o que tem mãe? Acha que ela vai mexer comigo algo assim? Por favor, né.
- Não a conheço mais Mariana. Lembre-se. Já não a vejo há muito tempo e, além disso, já não somos mais amigas. Preferia realmente que vocês não tivessem contato.
- Me poupe né mãe. Lisa é legal. E filha dos padrinhos. Eu não tenho nada a ver com os problemas de vocês duas. Alias deviam é parar com isso. É muita infantilidade sabia.
- Olha melhor pararmos por aqui senão vamos brigar. Vou tomar um banho – Joyce caminha em direção ao quarto.
- Mãe? Você não respondeu. Vou poder sair com Lisa?
Joyce olha para trás em direção a filha. Por mais que os anos passassem nunca entenderia este elo entre Lisa e Mariana. Era revoltante.
- Santa paciência Mariana! Está bem pode sair com ela. Mas só ao shopping entendido?
O rosto de Mari se ilumina. Tentando controlar a alegria na voz concorda.
- Ok Mãe. Só ao shopping.

Joyce olha pela enésima vez o relógio de pulso. 20 h e 20 minutos. Será que ela não vinha? Ajeita-se melhor na cadeira passa a mão no cabelo e pela enésima vez se olha em um dos espelhos que enfeitavam o ambiente. Suspira tensa e coloca a mão no queixo. Com certeza Lisa não viria. Boba ela de pensar que conseguiria com uma ameaça boba fazer ela a encontrar.
Olha para a porta mais uma vez e... Lisa surge. Joyce abre a boca sem conseguir controlar o suspiro. Ela estava linda. Lisa usava um delicado vestido de verão que moldava suas formas suavemente. O cabelo preso num rabo de cavalo bem feito valorizava os traços do rosto e alongava ainda mais o pescoço adornado com um suave pingente. Apesar de não estar vestida de forma sedutora, seu efeito sobre a libido de Joyce foi bombástica. Percebe-a olhando para os lados a sua procura e sente um tremor quando finalmente seus olhos se encontram. Tenta erguer a mão num aceno, mas a percebe tão tremula que a esconde por baixo da mesa. Observa o caminhar de Lisa em sua direção... o suave movimentar de seus quadris e engole em seco.
- Boa noite Jô.
- Oi... Oi Lisa.
- Desculpe o atraso.
- Não... Tudo bem.
As duas se encaram em silencio. Lisa nervosa, não sabia o que dizer a morena. Que ela estava linda? Sedutora? Jô não mudara nada. Continuava a usar roupas que valorizavam os seios maravilhosos e as pernas alongadas. Procurando evitar olhar o decote profundo Lisa desvia o olhar para o ambiente. ‘ Droga, porque ela tem que ser tão linda. ’
- Lisa?
- Oi?
- Nada. 
- Eu... Porque isso Jô? Porque me chamou aqui?
- Sabe... Eu... Gosto de me ver aqui com você. Sinto... Falta de nossas conversas.
- Hum... Não parecia tão satisfeita com minha presença na festa de Mari.
- Mariana, Lisa! Ela se chama Mariana!
- Tá, tá. Mas porque esta mudança inesperada de postura? Que saudade repentina é essa?
Jô olha Lisa fixadamente. O que responder? Que desde que a viu novamente é como se o tempo tivesse voltado? Que só o olhar para ela era recordar seus toques, seus suspiros, seu gozar? Que a quer?
- O cardápio senhoras.
Lisa desvia o olhar de Jô e encara o garçom. Pega o cardápio e abre-o aleatoriamente.
- O que vai querer Jô?
- Você.
Lisa a olha chocada.
- Como assim você?
- Quero você Lisa. Quero sentir você novamente nos braços.
- Você só pode ter enlouquecido.
- Eu sei... Mas você perguntou.
- Olha, estou cansada de suas ironias. Vou embora.
Antes que se levante Joyce à segura pelo braço.
- Pera Lisa. Tudo bem, não vamos falar disso. Olha nos dê uma chance ao menos de conversarmos civilizadamente.
Lisa passa a mão nos cabelos. ‘Que provação meu Deus!!’
- Ok. Hã... Vamos fazer o pedido?
Após o pedido um silêncio constrangedor se faz presente. Joyce não sabia onde por as mãos e Lisa o olhar. ‘Merda de decote’
- Então... Jô. Me conte sua vida todos estes anos.
- Quer mesmo saber Lisa?
- Sim eu quero.
- Bom... Eu me casei como sabe. Logo depois que me formei. Tenho... um casal de gêmeos.
Lisa engole em seco.
- Hum... Parecem com você?
Joyce a olha cautelosa.
- Eles estavam na festa Lisa... E não... São a cara de Carlos.
- Ah sei. E Mari... Mariana? Ela aceita bem os irmãos?
- Mariana é muito afetuosa com eles. São verdadeiros pestinhas, mas muito cativantes. Quer... conhecê-los?
Lisa a olha chocada.
- Er... Um dia... talvez.
- Bom... Eu comecei a trabalhar em um escritório de advocacia um pouco depois de casada e fui cada dia gostando mais do que faço. Hoje tenho um escritório. Especializei-me na área trabalhista.
- Isso é importante. Gostar do que faz.
- Verdade. Bom, e você?
- Eu? Hã... Sou como sabe, fisioterapeuta. E das melhores. – Lisa faz um ar metido e Jô ri.
- Tenho certeza disso. Você sempre foi dedicada.
- E põe dedicada nisso! Jô, você não tem noção das coisas que me aparecem na clinica. Não, eu tenho que te contar! – Lisa se ajeita melhor na cadeira - Um dia recebi uma cliente que tinha tido um acidente de carro e perdera os movimentos das pernas. Menina! A mulher me chega a clinica pilotando uma cadeira de rodas e gritando. Seguraaaa Airton!!!! Quase cai pra trás quando ela atropelou a recepcionista! Nem imagina como tivemos que pará-la e...
Joyce gargalhava com as falas de Lisa. Sem se aperceberem o constrangimento foi dando espaço a velha camaradagem e riam juntas, se divertindo com os casos contados.
As horas passavam e a antiga afinidade surgia lentamente, ambas partilhando seus momentos com a naturalidade de quem conhece bem uma a outra.
- Joyce!!! Não acredito! Você mandou a cliente pastar?
- Claro Lisa. Poupe-me né. A mulher era uma vaca!!
Lisa meneia a cabeça conformada. Conseguia imaginar Joyce direitinho, no escritório, chamando a cliente de vaca.
- Você realmente não muda Jô.
- Não. Jô ri alto. – Mas é divertido Lisa. Às vezes temos que descer do salto.
- Às vezes? Para você isso é cotidiano!
- Verdade... Joyce olha o relógio. – Ah Lisa tenho que ir... Já são 11h.
O desalento no rosto de Joyce era genuíno. A noite superara todas suas expectativas.
- Tem razão Jô. Melhor pedir a conta.
- Vou te deixar em casa ok.
- Tudo bem.
Lisa observa Jô pagar a conta. Esta se recusara a dividir as despesas. Sem se aperceber Lisa desce o olhar para os seios da morena. Estes continuavam lindos, preenchendo com generosidade o decote.
Após pagar Joyce volta o olhar para a loira, mas prende a respiração ao ver o olhar cheio de desejo desta. Num gesto quase instintivo de sedução Jô apoia os cotovelos na mesa pressionando o colo exposto e pondo mais em evidencia os seios fartos.
Lisa suspira tensa.
- Loirinha...
A voz de Jô desperta Lisa de seu deslumbramento. Lisa levanta o olhar para o rosto da outra e sente o rosto avermelhar fortemente. Estava claro que Joyce percebera.
- Eu... er... Melhor irmos. – sem esperar a loira se levanta rapidamente e caminha em direção a saída. Deus... Como dera bandeira tão ostensivamente? ‘Você esta doida Lisa? Esta é Joyce... É aquela sacana que te chutou! Lembra! Pois é!!’
Joyce acompanha Lisa ate a saída sem desviar o olhar dos quadris a sua frente. Suspira e toca as costas de Lisa delicadamente.
- Vem Lisa... Meu carro está na garagem do prédio que trabalho. São só dois quarteirões.
As duas caminham em silêncio. Um silêncio constrangedor. É como se toda a camaradagem conquistada durante o jantar tivesse desaparecido em fumaça.
Joyce cumprimenta o vigia e entra no prédio a caminho da garagem. Já dentro do carro se vira para Lisa.
- Vai permanecer em silencio até quando?
- Não entendi Jô. Apenas... Não tenho o que falar.
- Lisa...
- Que?
- Eu... Eu...
- Que Jô? – Lisa se vira para a morena como que a afrontando Mas quando observa o olhar desta se vira novamente para frente. – Melhor irmos não acha?
O silencio se torna opressivo. Lisa engole em seco e novamente se vira para Jô.
O coração se aperta ao vê-la tão perto. Instintivamente desce o olhar para os seios.
- Gosta?
- Ah?
- Gosta Li?
- Eu...
- Eles não mudaram muito... – Dizendo isso Jô delicadamente passa a mão sobre o próprio colo insinuando os dedos entre o vale dos seios. Lisa acompanha o movimento fascinada. - Ainda são muito sensíveis sabe...
Joyce sente o coração disparar ante o jogo de sedução que fazia. Não queria pensar se era certo ou errado. Queria apenas sentir o toque de Lisa novamente.
Lisa instintivamente solta um gemido suave. Aquilo era uma tortura.
Aquele gemido soou como uma musica para Jô. Sem mais procurar respostas para suas atitudes segura o rosto de Lisa e a beija com força e profundamente, exigindo, roubando uma resposta apaixonada. Força com a língua a passagem entre os lábios da loira e explora cheia de desejo cada cantinho da boca molhada. Lisa já não pensa. Agarra Jô e a puxa para si. O beijo era exigente, sequioso, saudoso. As bocas se buscavam, mordiam, inflamavam os desejos reprimidos por anos e anos. Lisa com brutalidade puxa o decote de Joyce expondo os seios fartos.
- É isso que quer vagabunda? Então vai ter.
Joyce frente às palavras de Lisa sente-se molhar e puxa o rosto de Lisa para os seios.
- Chupa loirinha. Chupa... Mata minha vontade.
Lisa agarra os seios fartos e os chupa loucamente. Morde os biquinhos enlouquecida diante do gemido rouco da morena e os aperta deliciada.
- Continuam lindos... Você não presta Jô!
- Você gosta Lisa... Você sempre gostou... Busca a boca de Lisa novamente e a beija gemendo baixinho
- Deus que delicia... que saudade de você Lisa que saudade...
Lisa totalmente descontrolada puxa a saia de Joyce para cima expondo a calcinha preta rendada.
- É isso que quer safada? É isso?
- Jô ergue os quadris sedutoramente.
- Sim... sim...
Lisa insinua os dedos por entre as pernas de Jô põe a calcinha de lado tocando o clitóris inchado.
- Vagabunda... vagabunda... Você não presta... Você não presta... Sussurra enquanto saboreia os seios arrepiados.
Desliza os dedos pela vulva e Jô enlouquecida abre as pernas se oferecendo com lascívia.
Num gemido revoltado Lisa penetra Jô.
O grito de Jô é estridente. Lisa imediatamente tira os dedos e a olha, desta vez com revolta no olhar além do desejo. A morena estava linda toda exposta e oferecida. Desliza o olhar sobre todo o corpo moreno e respira freneticamente tentando recuperar o controle.
- Jô...
A luz da garagem se acende. As duas se assustam e começam a se compor rapidamente. Joyce acabava de puxar a saia para baixo quando o vigia aparece com ar preocupado.
- Doutora Joyce está tudo bem? Você não saía, fiquei preocupado.
Passando as mãos no cabelo revolto Joyce abaixa o vidro.
- Desculpe Tião... Eu e minha amiga nos distraímos num papo aqui, mas já estamos saindo.
Liga o carro com a mão tremula e sem olhar para Lisa sai da garagem dando um aceno para o vigia. Já nas ruas de BH suspira frustrada com o desejo não satisfeito e olha Lisa de lado.
- Não diga nada Jô.
- Você quis Lisa. Não adianta negar. Você quis e gostou.
Nervosa Lisa se vira na direção da morena.
- Quem não ia gostar de ver uma mulher gostosa se oferecer igual a uma puta como você fez??
Jô sente um gosto amargo na boca, mas responde a ofensa cinicamente.
- Tem razão Lisa. Ninguém. Principalmente você né. Sempre foi uma safada por trás dessa carinha de anjo. E adora! Gostou de cada momento nosso. Confesse que ficou puta quando o cara interrompeu a gente, confessa. Confessa que tá molhada, decepcionada porque não pôde ir ate o final!
Lisa engole em seco
- Confessa que esta doida pra pegar de novo meus seios!
- Cala a boca Jô.
- Confessa Lisa! Confessa que esta doida pra me fuder, me comer!
- CALA A BOCA JÔ!
- Você pode fugir o quanto quiser, mas me quer Lisa. Me quer tanto quanto eu a você.
- Não Joyce. Eu não quero você. O que aconteceu foi por causa do vinho. Só isso.
Joyce ri alto.
- O vinho?? Deixe de ser ridícula Lisa. Você quis cada momento. Você me deseja, sei quando me desejam.
- Já disse para calar a boca Jô!! Cala ou não respondo por mim.
O resto do caminho as duas permaneceram caladas, cada qual perdidas em seus pensamentos. Joyce para o carro em frente à casa de Marcos e Paula.
- Pronto Lisa, entregue sã e salva... Impressionante. Os anos passam e você continua sendo a mesma covarde de antes.
Lisa se vira com raiva no olhar.
- VOCE!! Você tem coragem de me chamar de covarde? Me faz rir Jô. Olha este papo termina aqui.
- Termina mesmo? Você não vai dormir Lisa... Você sabe que não. Você perdeu o jeito sabia! Uma pena. Deve estar muito frustrada.
Lisa se vira violentamente para Jô erguendo a mão. Jô arregala os olhos e se encolhe como a se defender. Então Lisa desce a mão lentamente a pousando no seio farto da outra. Aperta-o com volúpia e sem tirar os olhos de Jô desliza a mesma para entre as pernas da morena. Empurra a calcinha desta e a penetra profundamente. Sorri irônica com o gemido que Jô solta.
Dá uma nova estocada
- É isso que você é Jô. Uma vagabunda oferecida. Porque acha que estou frustrada? – Ri irônica - Posso te ter a hora que eu quiser... Se eu quiser. – Tira o dedo de dentro de Jô. – E resolvi que não quero.
Sai do carro e sem olhar para trás entra na casa dos pais. Fecha a porta da sala e se deixa escorregar ate ficar sentada no chão. Ergue o punho e o morde tentando controlar o choro. Geme revoltada. Joyce não mais teria este poder. ‘ Quero Jô fora de minha vida senhor... Tira este desejo de dentro de mim... Tira... ’
Protegida no escuro da sala deita-se no chão frio e começa a chorar baixinho
-Luiza... Lu... Ai Lu... Preciso de você...
Joyce permanecia em choque dentro do carro. Nunca se sentira tão... baixa em toda a sua vida. Lisa a tratara como se fosse uma vagabunda qualquer. Respira fundo e passa a mão no farto cabelo tensa. Arruma a roupa e antes de engatar a marcha no carro, olha para a casa dos pais de Lisa. Um sorriso começa a despontar em seu rosto seguido de um gemido de frustração ao sentir o molhado entre as pernas.
‘ Posso ser uma vagabunda Lisa, mas você me deseja. Você ainda me deseja. E eu vou ter você de novo, ah se vou! ’

"Cada lágrima ensina-nos uma verdade.”
(Ugo Foscolo)