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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Capítulo IV

Lisa olha Mariana em choque. Como assim gosta de mulher? Como assim herdar? COMO ASSIM GOSTA DE MULHER??
- Gosta de … mulher?
Mari a olha agora mais angustiada
- Sim Li... eu... eu sempre as olho.
Lisa a olha quase indignada
- Como assim as olha?? Olha o que?
Assustada com o tom ligeiramente elevado e frio de Lisa, Mari tenta se justificar.
- Quer dizer... eu...olho sem maldade...eu... nem canto, não mexe...eu... - faz um gesto desalentado com a mão – Na verdade eu só olho achando bonito... mas sem vontade... - Olha Lisa em expectativa – Entendeu?
- Deixe eu tentar entender. - Lisa a olha arrogante e altiva - Você diz que gosta de mulher, olha para elas, mas não as deseja? - Esfrega a testa tensa – não acredito que estou tendo este papo com Você.
- Ah Li, para de me ver como a criança do passado! Eu cresci, dá pra entender isso? Eu trabalho, faço faculdade, paquero, namoro, faço tudo sozinha ok.
- Tudo! Tudo! E o tudo significa mais o que?
- Ah?
- Responde Mariana!!! Tudo é o que?
- Que isso Li! Nada a ver sua pergunta. Putz, nem falávamos sobre isso! Falávamos que vi minha mãe quase trepando numa mesa de bar e você quer saber se eu faço... tudo! - Olha Li surpresa – Pera... Tudo?? Você quer saber se eu transo com mulher?
Lisa a olha desconcertada. Transa? Sua Mari... transar com alguem? Se ergue do chão quase possessa.
-Você está transando com mulher???????
Mariana aproxima de Lisa quase encostando seu corpo ao dela. Lisa vagamente percebe que são praticamente da mesma altura. Diferente de Jô que é menor que ela.
- Você endoidou Lisa? Eu estou aqui falando de meu choque em ver minha mãe num bar com uma mulher, te conto que to apavorada porque também gosto de mulher e isso me assusta e você só sabe perguntar se estou transando??? E com uma mulher?
- Mari... Deus... olha, não tente me entender, apenas responde. Você esta … está... com alguem? - Faz gesto alentado com a mão – Está... transando? Homem? Mulher? Apenas responde!
Mariana balança a cabeça incrédula. Que loucura aquilo!
- Não Li... eu não transo, trepo o diabo a quatro com ninguém. Eu sou virgem tá legal. Satisfeita?
Lisa sente toda a tensão do corpo se esvair. Virgem... graças! Virgem... Olha Mari. Virgem...
Desliza o olhar sobre a jovem mulher a sua frente. Meu Deus! Ela era simplesmente linda demais. Como era virgem? Graças a Deus era virgem!!
Lisa esfrega a testa com força . Que confusão... que tensão. 'Droga Lisa que acontece com você?'
- Eu... desculpe Mari... Você... tem razão. Não sei porque fiz isso. Acho que estou surpresa... eu... bom. - Olha a outra procurando se mostrar calma – Você … se nunca ficou com uma mulher, como sabe que gosta delas Mari?
- Merda Li! Eu não disse que nunca fiquei! Apenas que não transei!
- Como é?? - Lisa se vira bruscamente para ela. 'Se controla Lisa!' - Você... ficou. Beijar, é isso né.
- É Li... tem um tempo já. Depois eu... bom... eu não quis continuar.
- E ela sim.
- E ela sim.
- Porque não quis continuar?
- Lisa isso vem ao caso? Cara, to me sentindo pressionada! Você está fazendo um interrogatório. Tá te incomodando é?
- Mari, que isso! Quero apenas te entender. Eu... ok, assumo que estou surpresa. Você é tao linda … tao... sei lá. Não consigo te ver assim.
- Lisa nem acredito que to ouvindo isso de Você!!! Você é lésbica! Você é linda! E Você tá sendo preconceituosa!
- Não sou preconceituosa! Eu sou lésbica! Estou é... sem ação. Surpresa. Ah, sei lá o que estou. Droga Mariana, eu sei como é difícil estas escolhas. Eu sei como as pessoas podem ser cruéis. É normal não desejar que passe por isso.
- Preferia que eu fosse como minha mãe??? Casar e trepar com mulheres por ai?
- Mari você está prejulgando sua mãe.
- Ah não! Só me falta você defender ela!
- Não estou defendendo ninguém. Só não acho certo você desrespeitar ou mesmo desmerecer sua mãe desta forma ok.
- Lisa me poupe! Que deu em você? Achei que ia me apoiar, tentar me entender.
- Eu entendo Mari! Mas... ah meu Deus, nem sei o que pensar. Você … como sabe que é lésbica? Nunca realmente ficou com uma para ter esta certeza!
- E você Li? Descobriu que gosta de mulher já trepando é isso?
- Mari, comece a me respeitar!
- Respeitar? E quem disse que não respeito? Estou é te tratando como mulher. De mulher para mulher! Da mesma forma que fala comigo, falo com você. O mesmo tom que usar usarei. Te respeito sim, mas falarei como igual. Não é porque temos alguns anos de diferença que isso muda.
- Eu vi Você nascer!
- E daí? Agora me vê mulher, adulta! Te incomoda eu ter crescido? Ser mulher agora?
- Que isso Mari! Só não consigo associar Você com a minha... minha... com a criança que vi crescer.
- Não é pra associar. Eu … sou esta que vê. Uma mulher Li... com sonhos, desejos, objetivos, tudo.
Lisa nesse momento percebe o quão perto estão uma da outra.
Mulher... sua Mari é uma mulher. Desliza os olhos para os seios da outra. Logo lhe vem a lembrança deles nus. Aperta as mãos para controlar a ânsia súbita que tem de tocá-los.
Mari sente o coração acelerar ao ver Lisa deslizar o olhar para seus seios. Percebe os olhos cor de âmbar escurecerem e solta um gemido baixo. É o suficiente para Lisa reagir. Esta afasta-se do corpo quente e suspira.
- Mari... acho que Você deve conversar com sua mãe. Esclarecer sobre o que viu.
- Ah sei. Tambem quer que fale que gosta de mulher e tal? - ' Porque estamos discutindo Lisa?'
- Quero apenas que você pense bastante nas escolhas que fará para sua vida.
- Lisa... deixa eu te clarear uma coisinha.
Mari se aproxima novamente, desta vez encostando seu corpo ao da loira.
- Você só está em minha vida a algumas horas. Sobrevivi bem a vida e às minhas escolhas sem seu achismo. Na boa, você quem deveria conversar com minha mãe. Até porque pelo que sei não são mais tao boas amigas né.
Caminha em direção a saída.
- Eu não preciso de orientação Lisa, preciso de alguem que me compreenda. Para me induzir ou mesmo conduzir a um caminho que sei que não me basta já tenho minha mãe. - Antes de sair olha para traz. - Bom ver você.

Lisa boquiaberta vê Mariana ir embora. Senta-se sem ação na cadeira e ali permanece por um bom tempo. Sua mente funcionava a mil por hora. Bate a mão sobre a mesa nervosa. A muito tempo alguem não conseguia deixa-la tao nervosa, ansiosa, tensa. Santa paciência! E ainda dizia não ter um gênio parecido com o da mãe! 'Aff... é muita informação em pouco tempo.' Mariana conseguira bagunçar sua vida em poucas horas. Imagina o que não é capaz de fazer com dias e meses!'
Ouve a porta se abrir e os pais adentrarem o ambiente.
- Uai Lisa, já levantou?
- Ei mãe, pai. - Levanta-se dando-lhes um beijo.- Na verdade nem deitei ainda. Mariana acabou de ir embora. Mas se não se importam vou descansar um pouco agora.
-Tudo bem filha. O almoço sairá mais tarde viu. Achei que Mari ia almoçar com a gente.
- Não mudem a rotina por mim. - Olha a mãe séria. - Falando em Mari como ela é geniosa hem mãe.
Paula olha a filha surpresa.
- Mari? Que isso filha! Mariana sempre foi ponderada, bem na dela..
- Bom, se você diz então tá.
- Não me diga que vocês se estranharam.
Lisa sorri divertida.
- Ok eu não digo.
Paula se senta perto da filha.
- Olha filha, se Mari ficou nervosa é porque deve estar sob pressão. Ela odeia imaginar que possa ter herdado o gênio da mãe.
- Bom... então despertei o pior dela.
- Que nada filha. Ela está com algum problema sério. Mas logo volta aqui e se desculpa. Ela te adora.
- Mudou tanto... - Lisa fala quase para si mesma – esperava encontrar uma adolescente não uma mulher feita.
- Mari cresceu rápido filha. Mas ainda é uma adolescente, com atitudes típicas da idade. Vai descobrir isso com o tempo. Agora vai deitar.- Dá um beijo no rosto da filha.

Mariana bate o pé ritmadamente na calçada enquanto espera o ônibus. Lisa é demais. Precisando de conselhos e ela vem dar moral, tirar satisfação. Que atitude estranha! Que raiva! Ergue os olhos para o céu bufando. Odiava quando lhe tiravam do sério.
Tambem o que ela queria? Que Lisa a visse como a mulher maravilha? A solução de todos os seus problemas? Respira fundo e segura o pescoço. Ela não parecera muito assustada com o fato de sua mãe ter estado com uma mulher. Indignada talvez, surpresa, mas não chocada. Isso significava que Lisa sabia mais de sua mãe que ela pensava.
Mariana começa a caminhar de um lado para o outro. Será que sua mãe também gostava de mulher e depois mudou de ideia? Mas e a existência dela? Não... sua mãe a teve com 16 anos. Gostava de homens. Mas a melhor amiga era lésbica. Será que brigaram porque não aceitava a melhor amiga ser lésbica? Do jeito que é preconceituosa com certeza. Mas depois do casamento infeliz pode ter pensado que com uma mulher acharia mais... prazer. Pode ser isso. Mas como Lisa saberia disso?
Bate o pé no chão. Odiava não ter as respostas. Respira fundo. Sempre fora paciente. Não era agora que iria mudar. Principalmente agora.
Li... nossa como ela era linda! Olhar para ela não cansava. Tudo nela era fascinante. Olha para trás e suspira. 'Merda. Deve estar pensando que sou uma criança. Tambem com a atitude que tive como não pensar.'
Senta na beira do passeio e põe a mão sobre o queixo. Não seria com atitudes como as que tivera que conquistaria Lisa. Conquistar... fecha os olhos triste. Como fazer Lisa a notar como mulher e não como a filha daquela que fora sua melhor amiga? Um carro buzina e alguns rapazes mexem com ela. 'Aff, como tem mulheres que tem paciência com essa raça?' Balança a cabeça enérgica e ignora ostensivamente o grupo. Aliviada vê o ônibus se aproximando e levanta.
Depois pensaria em Lisa e em tudo que passara. Agora era hora de confrontar sua mãe.

Joyce levanta tensa. Carlos já não se encontrava a seu lado. Saíra cedo. Um bom fim de semana. Caminha mal humorada pelo corredor, adentra a cozinha e começa a preparar um café. Estranhando o silencio vai em direção ao quarto dos filhos. Vazio. Suspirando procura algum bilhete que lhe responda onde se encontravam. Na sala acha o recado de Carlos.

Jô,
Os meninos pediram para ir para a casa de sua mãe. Não vi por que negar. Nos vemos a noite.


'Ok...ok. Os meninos vão para a casa da avó. E Você Carlos? Para onde está indo?'
Passa a mão nos cabelos bagunçados e senta-se à mesa saboreando o café fresquinho. Vê a porta se abrir e a filha adentrar a cozinha. Levanta-se um pouco tensa.
- Mariana! Que bom que chegou. Estou sozinha, os meninos estão com sua avó. Quer um café?
- Não mãe, obrigada. E o Carlos?
A mãe fecha a cara.
- Este não dou noticia. Mas deve estar no clube. Passou bem a noite na sua madrinha? Alias, da próxima vez que for poderia avisar mais cedo e não de ultima hora. Ainda tem mãe mocinha.
Mariana abre a boca para responder-lhe mal, mas ao encara-la emudece. Joyce estava pálida, com ar cansado. De repente toda a vontade de confrontá-la desaparece. Parecia tao...triste, deprimida. Uma necessidade de abraça-la surge e esquecendo todas suas angustias, Mariana a enlaça em seus braços.
-Tudo vai ficar bem mãe.
Joyce emocionada com o carinho inesperado da filha suspira e se aconchega nos braços queridos.
-Vai sim Mariana... tem que ficar.
As duas permanecem ali, abraçados em silencio. Cada uma perdida em seus pensamentos. Uma angustiada, triste... quase sem esperanças. Outra em expectativa, ansiosa. Cheia de esperança.
- Mãe... - Mari, sem saber exatamente o que dizer, fala a primeira coisa que lhe vem a cabeça – sabe quem voltou?
- Não filha. - Jô a olha cansada.
- Lisa.
- Como? Quem?
- Lisa, mãe.
Mariana observa o semblante da mãe modificar. Onde antes havia desanimo surge uma nova energia. Os olhos, antes apagados, ganham nova luz. Sem entender bem o porque, sente seu coração se oprimir.
- Parece ter gostado da noticia – diz fria
- Lisa voltou...
- Mãe... ela é minha amiga. Não vai causar confusão.
- Não somos mais inimigas filha. Eu mudei! Eu... preciso ir vê-la não acha?
- Como é?
- Vou tomar um banho e visita-la. Eu... Nossa senhora. Ela deve ter muitas coisas para contar. Vá se arrumar. Vamos lá vê-la.
- Mãe acabei de vir de lá. Não vou voltar.
- Então vou só.
- Mãe!! Para! Ela chegou hoje! Ela tá descansando!
- Isso nunca foi problema entre nós. Vou tomar banho.
Mariana vê a mãe sair agitada da cozinha.
- Droga! Sozinha que você não vai!

O telefone toca surpreendendo Mariana
- Oi Mari, passou bem a noite?
- Carlos? Tudo bem foi ótima. Quer falar com mãe?
- Por favor
Mariana bate a porta do banheiro
- Carlos no tel!
Joyce surge enrolada na toalha.
- Que hora para ligar! Oi Carlos.
- Jô, eu estou aqui em sua mãe com os meninos e estávamos pensando em ir a Ouro Preto dar uma volta. Vamos?
- Mas... Ouro Preto?
- Sim... chama Mariana também. - Carlos abaixa o tom da voz – Jô... sua mãe e seu padrasto não parecem muito bem. Acho que ela precisa conversar e lá vocês terão sossego enquanto passeio com os meninos. Vamos lá. Sabe o quanto gosto dela.
- Puta que pariu... Jô diz baixinho. - Tudo bem Carlos... vem me buscar em... 30 minutos?
- Combinado.
Jô desliga o telefone frustrada e olha Mariana.
- Carlos está nos chamando para ir a Ouro preto. Não posso deixar de ir. Vamos?
Sentindo um alivio imenso e inexplicável Mariana responde.
- Passo essa mãe. Prefiro estudar um pouco.
- Ok... bom, deixa eu tomar banho. - Aborrecida começa a fechar a porta do banheiro.
- Ah... mãe!
- Oi.
- Onde você foi ontem?
Jô olha surpreendida e um pouco assustada para a filha
- Por que quer saber?
Mariana a olha fixadamente.
- É que ontem acompanhei uns amigos num barzinho no centro e... vi uma mulher parecida com você numa mesa. Quando tava pensando em levantar e cumprimentar foi embora.
Joyce tenta manter a expressão neutra.
- Barzinho? Não... não era eu. Fui para a casa de umas amigas jogar conversa fora e desanuviar a mente. Sabe como é. Um bom vinho, conversar abobrinhas... rir bastante. Nada de sair na noite. Mas... que bar era esse?
Mariana desvia o olhar do da mãe.
- Um barzinho que é ponto de encontro da galera da UFMG. No alto da Contorno. Bom, eu também vou tomar um banho e estudar. Bom passeio.
Vira as costas e sai em direção ao quarto. Joyce acompanha a filha com o olhar. Devagar fecha a porta do banheiro e encosta na mesma. O coração quase saia pela boca. 'Meu Deus, ela percebeu algo. Ela viu algo. Conheço Mariana.' Passa a mão na testa. Estava suando. Cerra os dentes controlando a vontade de gritar. ' Merda, merda. Que merda!! Preciso falar com Juliana... e Lisa!! Lisa pode me ajudar!' respira fundo tentando se controlar. 'Calma Jô... ela não viu nada....só desconfia, mas você resolve. Vamos tomar banho e depois pensa nisso. Depois pensa nisso...'

“Porque há o direito ao grito.
então eu grito.”
Clarice Lispector

sábado, 7 de agosto de 2010

Capítulo III

' Estou sonhando?'
Mariana fecha novamente os olhos, aperta e os abre novamente. A mulher loira ainda estava a sua frente, com os olhos arregalados e a mão sobre o coração.
- Lisa?
- …
- Lisa... Lisa... eu... eu só posso estar sonhando. - Esfrega os olhos se colocando sentada na cama. Escuta um gemido baixo e abre-os novamente fixando-os na mulher perto da cama.
- Lisa? Lisa... Você voltou? - Mariana diz baixinho, quase com medo da imagem a sua frente desfazer como tantas vezes no passado.
Lisa respira fundo. Não conseguia desviar o olhar dos seios desnudos agora expostos a seus olhos.
' Respira Lisa, esta é Mariana!'. Encara a bela jovem.
- Eu... eu... er... Mari? Você está... adulta.
- LISA!!!!
Mariana pula da cama enlouquecida.
- Eu não estou sonhando!! Lisa!!! - Abraça a loira em total felicidade. - Eu recebi todas as suas cartas, seus postais, tudo! Tão lindo Lisa!! Eu amei! Que saudade!!! Como eu te amo!
A loira abraça a jovem que a agarrava quase em desespero como que com medo que ela desaparecesse. Suas mãos tremulas deslizam suaves pela cintura fina. Sente a pressão suave dos seios e com muita dificuldade segura o gemido que lhe vem a garganta.
- Mari... minha Mari... eu... Tambem tinha muitas saudades... eu... er...
Lisa com dificuldade segura os braços que a enlaçavam e se desprende da jovem eufórica. Afasta-se ligeiramente de Mari procurando não olhar o corpo coberto apenas por uma calcinha de renda. Solta uma risada sem graça.
- Você dorme bem vestida né!?
Mariana arregala os olhos e olha para baixo, para o próprio corpo. Seu rosto se avermelha e num gesto quase inocente tapa os seios.
- Cara, esqueci!
Volta correndo em direção a cama e pega a colcha se cobrindo com ela. Lisa sente um misto de alivio e tristeza em ver toda aquela beleza agora coberta.
Mariana ainda de costas para ela, respira fundo e, procurando se controlar, volta-se para a loira.
Lisa a olha fixo num olhar incerto. As duas se encaram agora em silencio.
Mariana repara cada mudança na amada. Lisa parecia tao diferente, mas ao mesmo tempo tao igual a sua lembrança. A expressão do rosto, a postura elegante e altiva. Linda... Lisa era linda.
- Você... não mudou nada.
Lisa se assusta com a voz de Mariana. Devagar solta o ar, que sem perceber que o retera em sua admiração pela jovem mulher.
- Eu mudei sim Mari... mas acredito que para melhor.
Caminha em direção a cama e se senta nesta. Dá um ligeiro tapinha no colchão a convidar a jovem a sentar a seu lado.
- Mas vendo você hoje, tao linda, tao jovem, nunca me senti tao velha, madura, vivida. - Sorri delicada já no controle de suas emoções.
- Que isso Li... Você é jovem.
- A idade de sua mãe. - E sorrindo abraça a jovem pelo ombro. - Suficiente para dar ordens em você mocinha!
Mariana se afasta do abraço fraternal.
- Minha mãe é jovem Lisa. E vocês são muito diferentes. Não consigo te ver como ela. E não sou mocinha, sou mulher. Sou dona de meus atos ok. Não preciso de ordens.
- Ei, calma! Eu brinquei. Eu vi que já é mulher. E aponta brincalhona os seios da jovem.
Marina sente novamente todo o sangue subir a seu rosto.
- Eu... não quis dizer isso.
- Mari... eu... nossa senhora. Você puxou o gênio de sua mãe? Tudo menos isso. - Ergue as mãos em brincadeira.
- Eu … ah Li... Você é foda. Mal chega e quer me comparar com minha mãe? Eu não pareço com ela. Não sou duas caras. Sou sincera e se considera ser geniosa falar na cara o que pensa, então eu sou. Não guardo pra depois. E outra. Penso para falar. Não vou dando a cara pra bater por ai achando que o mundo tem que estar a meus pés. Não me compare com ela!!
Lisa arregala os olhos a medida que a voz da jovem vai aumentando de volume. Ao ver Mari silenciar para respirar, cala a boca dela com a mão.
- Tem razão Mari... Você não tem o gênio de sua mãe. - E ri ruidosamente ao sentir esta tentar se soltar de sua mão. - Mas por via das duvidas prefiro me prevenir, diz irônica.
- Humuuhum...
- Cumã? Disse algo?? Mari?? - E rindo, aperta ainda mais a mão sobre os lábios de Mari.
Vendo que esta começa a se impacientar a solta repentinamente, abraçando-a imediatamente e jogando-a sobre a cama.
- Saudade de você princesa!!! Que saudade…
Mariana sorri , o coração disparado. Nunca a raiva lhe passara tao rapidamente. Lisa a abraça com tanto carinho que seu coração derrete. Retribui o abraço amado procurando transmitir todo o amor que sentia. Suspira enlevada em sentir a loira sobre si. Era tão bom...
' Você voltou Lisa... voltou para mim...'
E chora...

Lisa abraça a jovem sentindo seu choro sentido. A acolhe ainda mais carinhosamente nos braços. Beija com carinho os cabelos perfumados e o carinha suavemente com a face. Esta era sua Mari. Sua menina. Fecha os olhos procurando lembrar Mari em varias fases de sua vida. Recém nascida, menininha, a bela jovem de 15 anos. Suspira. Nada mudara certo? Estava tudo bem. Ergue um pouco o corpo e olha jovem que agora enxugava as lágrimas. Levanta-lhe o queixo sorrindo, mas logo fica séria.
Verdes... O olhar de Mariana. Profundo, firme, adulto. Lisa procura lembrar a criança, mas somente lhe vem a mente o olhar de Mariana. Como agora. Fecha os olhos, a tentar quebrar o contato entre elas. Mari nunca tivera um olhar de acordo com sua idade. Nem quando criança. A sensação de predestinação surge forte no coração de Lisa. ' Isso não está certo'
Ergue-se agitada.
- Eu... preciso de um banho. Olha a jovem apoiada sobre o colchão. - não saia daí Mari... temos muito que falar.
Pisca alegre, procurando não demonstrar a confusão que lhe vai no coração e se retira rápida para o banheiro. Encosta a porta e coloca as mãos na testa. Não queria pensar, não queria sentir. Estava confusa, era isso. Retira a roupa e entra no chuveiro deixando que a agua lhe cair sobre o corpo. Mariana era a cara de Jô. Por isso a confusão, a angustia. Precisava saber separar seu passado e presente. Era isso! Ver Mariana lhe trouxera a Joyce adolescente ao coração. Bastava separar esses sentimentos. Só isso. Respira e começa a tranquilizar mente e coração.

Mariana se ergue tremula da cama. Lisa estava de volta! Põe a mão sobre o coração. Estava disparado. 'Respira Mari, respira. Você não pode se expor assim. Ela não pode perceber! Tem que ir devagar.' Solta um grito e num pulo salta da cama. Começa uma ligeira dança pelo quarto. Sorrindo rodopia sobre si mesma e ergue os braços em total alegria. 'Lisa voltou para mim !'
Corre para a cômoda e, pega sobre ela, a roupa que usara no dia anterior. Seu rosto se anuvia. Sua mãe...
Senta-se ao lado da cômoda e alisa a roupa no colo. 'Droga mãe... que você está fazendo?' Emburrada começa a vestir-se. Até no momento mais valioso de sua vida sua mãe dava um jeito de interferir. Procurando esquecer o assunto, penteia o cabelo com a mão e a passa pelo rosto. Olha a porta do banheiro cautelosa. Caminha devagar para ela e testa a maçaneta. Estava aberta. Com o coração disparado entra no mesmo. Vê a silhueta de Lisa no banho, através do box. Geme baixinho.
Lisa... põe a mão sobre a boca. Desliza o olhar pelo corpo nu, e se angustia por não poder vê-lo com exatidão. Uma dor se faz presente na virilha. Arregala os olhos e se vira saindo rapidamente do banheiro. Somente Lisa a fazia sentir isso.
Sai do quarto.

- Bom dia Mari. Dormiu bem?
- Madrinha... Mari procura controlar o tremor do corpo. - Muito bem … eu... vi Lisa.
- Ah filha! Não é maravilhoso! Nossa menina voltou! E abre os braços acolhendo a afilhada querida.
- Demais madrinha. Ela... tá linda né.
- Demais. Vamos ter muito que conversar. Você está melhor?
- Muito.
- Quer falar sobre o que lhe angustia?
- Madrinha... já passou. Deixa pra lá.
- Tudo bem. Então venha tomar café.
- Já vou, só vou rapidinho no banheiro. Lisa tá tomando banho no do quarto.
- Ok filha. Olha, vou com seu padrinho na feira. Com Lisa em casa quero fazer um almoço especial. O café vai estar sobre a mesa ok.
- Tudo bem. Te amo madrinha.- E dá um beijo no rosto de Paula.
- Tambem te amo querida.

Lisa sai do banho coma toalha sobre o corpo. O quarto estava vazio. Suspirando caminha em direção a cômoda e a abre. Sorri. Sua mãe ainda tinha guardado algumas peças de roupa suas. Segura-as sobre o corpo. Balança a cabeça nostálgica e as coloca novamente na gaveta. Retira da mala um short e uma camiseta. Olha a cama desarrumada. Perdera totalmente a vontade de descansar. Delicadamente passa a mão na colcha. Suspira. Sua volta para casa estava sendo realmente uma surpresa.
- Mãe?
- Ela saiu Lisa.
Lisa volta-se surpresa para a porta da cozinha. Mariana segurava um pão fresco e uma faca na mão. Esta os ergue brincalhona.
- Quer?
Marina come deliciada a rosca .
- Cara, a madrinha tinha que comercializar essas roscas. Ia ficar rica.
- Realmente ela cozinha bem .- Lisa põe a mão sobre o queixo a observar Mariana.
- É uma delicia ver como saboreia a comida Mari.
- Lisa, se tem algo que não faço media é comida.
- Perceptível.- Volta o olhar para a boca de Mari. - Você tem um pouco de manteiga no canto da boca.
- Onde? Mariana passa língua suavemente sobre os lábios.
Lisa fascinada acompanha o movimento. Não havia nenhuma malicia no gesto, mas percebe angustiada o quanto tal ato a afeta.
- Limpou Li?
- Sim...
Mariana percebe o olhar de Lisa sobre sua boca. Novamente passa língua sobre os lábios e vê as pupilas de Lisa se dilatarem. Esta ergue o olhar e a encara.
- Mari...
- Que foi Li?
- Nada... nada. Ou melhor... Você está bem?
- Como? - Mariana a encara surpresa. - Estou sim, porquê a pergunta?
- Minha mãe disse que você chegou tarde da noite muito angustiada. Aconteceu alguma coisa?
- Aff... Tia Paula também é muito preocupada.
- Realmente ela é. Mas com certeza aconteceu algo. Quer falar nisso?
'Você está é desviando o assunto Lisa' Pensa Mariana afastando uma mecha de cabelo da testa e encarando a loira agora mais séria. De repente, uma ânsia de falar sobre o que vira na noite anterior se faz presente. 'Li...'. Pedira tanto sua presença para poder conversar sobre tudo que acontecera.
- Li... eu... eu quero falar. Preciso falar.
- Estou aqui Mari.- E segura a mão da jovem.
- Lisa... ontem eu vi minha mãe num bar... com outra mulher.
Lisa solta sua mão como se esta a queimasse. ' Jô com uma mulher?'
- Como é?
- Eu vi minha mãe num bar GLS. Aos agarras com outra mulher!
- Eu... Mari... tem certeza?
- Claro que sim! E elas me viram! Saíram quase fugidas!
- Meu Deus!- Esfrega os dedos na testa. - Você… ela... num bar GLS???
Olha assustada a outra. ' Jô...e uma mulher?'
- Não! Eu... eu tava como simpatizante. Mas ela... ela tava beijando a outra Lisa. Eram tão... intimas.
- Simpatizante... quer me dizer que não é lésbica. Não precisa afirmar isso Mari.
'Não acredito que a Jô esteja com uma mulher!'
- Que isso Li! Não quis dizer isso! Ou melhor, quis... porra você tá me confundindo! A história é que fui no bar com minha amiga que é assumida e dei de cara com minha mãe lá, aos agarras com uma mulher. Não sou preconceituosa.
- Ah Mari... nem sei o que dizer.
- Você é lésbica Lisa! Você sempre assumiu isso! Namorou pessoas incríveis...a Lu... ela era lindona e eu... eu... bom Você nunca casou e teve filhos e … trai o marido, os filhos, a vida porra. Ela é casada. É uma … sem vergonha, falsa. Se não ama mais meu padrasto separa! Sai dessa. Se quer ser lésbica, vai ser! Mas assume pô! - Passa a mão sobre o rosto angustiada.
- Mari... Mari... - Lisa se ergue da cadeira e ajoelha ao lado jovem. - Mari... nada é tao simples assim. Assumir é algo muito difícil. Nem todos tem os pais a seu lado como tive.
- Lisa, é questão de... respeito próprio. Eu... ela é uma covarde e … Lisa... ela gosta de mulher! E de homem! Ela fica com os dois.
- Conheço muitas pessoas assim querida.
'Merda Jô, você só faz merda! Uma mulher droga!'
- Tá, mas nenhuma delas é minha mãe droga! - Mariana se levanta revoltada. - Você sabia Lisa? Sabia disso?
- Mari... Mariana.... não vejo sua mãe deste os seus quinze anos. Como poderia saber disso?
Lisa sente a angustia crescer no peito. Onde Joyce estava com a cabeça para se expor assim? E se Mari desconfiar de ambas? ' Merda Jô'
Mariana segura o rosto com as mãos.
- Desculpe... desculpe...não quis ser agressiva . É que … tá sendo difícil sabe. Minha mãe... ela passa uma pose tao de moral entende! Que nunca faz nada errado. Mó exemplo. E de repente... lá esta ela... aos agarras com uma mulher.
- E o que te incomoda Mari? A traição dela ou o fato dela estar com uma mulher? - A opressão não deixava-a respirar direito.
- Os dois Li! Os dois!
- Porque os dois Mari??
- Porque... porque eu não respeito quem mente... quem trai. Quem ama é fiel... tem consideração a pessoa que escolheu passar a vida. Paixão é passageira Li. Ela vai embora. E pode destruir vidas. Famílias.
- Eu concordo Mari... sua mãe … ela... deve estar confusa... pode ser um momento.
- Eles... meus pais... eles não estão bem a tempos mas... poxa... se querem ficar juntos, eles tem que lutar um pelo outro, não buscar na rua … outra coisa qualquer.
- Ah Mari... Mari...
Mariana ergue o olhar para Lisa.
- Ahh Li... o fato da coisa qualquer ser mulher não me incomoda. Quer dizer, não incomoda o fato em si... ser mulher. A traição que é uma merda.
- Então porque disse que te incomodava Mari?
- Porque... porque... - Abaixa o olhar angustiada. - Porque... Li... agora sei que herdei isso dela.
- Isso o que Mari?
Mariana ergue os olhos para Lisa. Um olhar profundo, misterioso.
- Mulher Li... gostar de mulher. Eu... gosto de mulher.

"Em tudo que a natureza opera, ela nada faz bruscamente..."
Autor desconhecido

sábado, 26 de junho de 2010

Capítulo II

Mariana desce do taxi e olha, com um olhar avaliativo, a entrada de sua casa. Saudades da simplicidade da casa da avó, dos padrinhos....da vida antiga. Sua mãe realizara todos os sonhos. Uma bela casa, um marido, filhos... e uma baita de uma amante. Contorce o rosto num espasmo de ironia e raiva. Houve um chamado e volta o olhar ao motorista que aguardava o pagamento da corrida. Num ato impulsivo volta a entrar no taxi.
- Mudei de ideia. Por favor me leve ao bairro Prado.
Paula ouve a campainha do interfone e olha preocupada o relógio. ' Quem seria a esta hora da noite?' Marcos surge na porta do quarto de pijama.
- Deixa que atendo. Quem é?
- Padrinho... é Mari...
- Mari? Meu Deus filha! - Olha assustado a esposa. - Entre. - Aperta o interfone que abre o portão, abrindo imediatamente a porta de entrada.
Abraça carinhoso a afilhada que retribui o gesto carinhosamente.
- Tudo bem Mari? Paula toca levemente o ombro da jovem
- Ah...madrinha.... - Mariana se solta dos braços de Marcos e se joga nos de Paula. - Posso passar a noite aqui?
Paula olha Marcos indagativa e carinhosamente passa a mão nos cabelos da afilhada.
- Claro filha, você é sempre bem vinda aqui.
Mariana deixa rolar uma lágrima. Estar nos braços da madrinha aliviava um pouco a angustia.
- Mari... o que aconteceu? - Paula lança um olhar ' fora daqui' a Marcos que estava ao lado delas. Ignorando ostensivamente a esposa Marcos abraça as duas.
- Eba ! Adoro abraço coletivo na madrugada!
- Marcos!
- Sim amor?
- Toma rumo! - E aponta a porta do quarto.
- Fogo mulher mandona. - Olha a afilhada mais sério. - Sabe que pode sempre contar conosco né Mari!
- Sei sim padrinho... - sorri carinhosa para ele. - Amo você viu!
- Também amo você – Olha a esposa – Já estou indo mulher!!
- Mari?
- Madrinha... - A jovem sai dos braços de Paula e caminha pela sala até parar frente à porta que dá para a cozinha – Vou tomar um pouco d'água. Posso ficar no quarto de … Lisa?
- De Lisa? Claro querida. Tenho certeza que ela não vai se importar. - Paula sente que não deve forçar a jovem a se abrir. ' Tudo a seu tempo'. - Mas vai avisar seus pais que dormirá aqui, ok!
Mariana vira o rosto de forma esconder a angustia que sentia da madrinha.
- Claro... eu... vou mandar uma mensagem. Se não se importa posso ir para o quarto?
- Pode filha. Olha, tem toalhas na gaveta da cômoda. - Quer que lhe arrume uma camisola?
- Não... não, eu me viro. Obrigada madrinha. Você é tudo!! - Abraça Paula com força e se afasta em direção ao quarto.
Paula a observa se afastar. ' Que será que aconteceu para angustiá-la tanto?'

Já no quarto Mariana senta na cama. Delicadamente toca o lençol. ' Lisa já dormiu aqui'. Suspira pesarosa e deita-se abraçando o travesseiro. ' Se Lisa estivesse aqui ela saberia o que devo fazer com tudo que aconteceu... como minha mãe pode fazer isso??' Relembra a mãe sorrindo com o rosto praticamente grudado ao da outra mulher. Balança a cabeça violentamente e tentar apagar a imagem da mente. E a mulher a olhando então? Que desaforo!
'Pera... a mulher me olhou!' Mari senta-se repentinamente. 'Meu Deus! Se ela me olhou naquela curiosidade é porque... elas me viram! Minha mãe me viu!' Mari segura a cabeça com ambas as mãos. ' Que faço meu Deus? Que faço?'

Joyce deita-se de lado e observa a amante que ainda recuperava a respiração após o prazer que ela lhe proporcionara.
- Uau mulher! Se cada vez que passarmos sufoco você vier quente como agora, quero passar isso mais vezes.
- Tá doida Ju? - Joyce põe a mão sobre os seios. - Tremo só de pensar no que poderia ter acontecido naquele bar. Nunca mais vou lá.
Juliana sorri e vira o rosto para a morena.
- Nada a ver. Poderia acontecer em qualquer bar da cidade.
- Pode ser, mas nunca seria tão suspeito quanto um GLS.
- Jô.. Belo Horizonte é uma capital com ar de interior, acontecimentos de cidade do interior. Você sempre encontra um conhecido em cada esquina, em qualquer lugar, até os mais inesperados.
- Tudo bem, mas não vou facilitar. Alias, não gostei nada de ver minha filha naquele ambiente.
- Nada a ver, que isso! Bar GLS agora é moda Jô
- Ai que saco... vamos mesmo ficar falando disso? - Jô olha a amante com um olhar safado – Você devia é retribuir tudo que te dei.
Insinuante entreabre as pernas expondo a vulva molhada e sedenta de satisfação. Juliana sorri safada e se inclina lambendo lascivamente o centro de prazer da bela morena. Joyce joga a cabeça para trás e geme languidamente.
- Que delicia.... continua gostosa.
Juliana morde sem dó os grandes lábios de Jô e se delicia com o pequeno grito que esta dá.
- Safada! Isso dói!
- É para doer Jô... você não quer prazer? Pois vai ter.
Chupa quase com violência a morena e começa a mordiscar o clitóris inchado. Jô abre ainda mais as pernas. Juliana a segura pelas coxas e com a língua penetra seu interior, saboreando o gosto adocicado de sua amante. Repentinamente ergue- lhe as pernas e a vira, colocando-a de quatro. Abri-lhe bem as nádegas insinuando o dedo pelo anus de Jô. Esta trava imediatamente.
- Nem ouse Juliana.
- Porque? Vai impedir?
- Não quero.
- Pois não te perguntei.
- Eu disse que não quero e.... ai!!!
Juliana numa única estocada a penetra por trás.
- Não quero! Para!
- Sim, você quer Jô. Você não presta. É uma sem vergonha sem limites. Você só quer prazer, tesão, satisfação. Não quer? Então por que geme? - Bate nas nádegas expostas. - Rebola sua vagabunda. Rebola para mim.
Joyce queria evitar o prazer, o orgasmo. Sem conseguir se conter começa a rebolar. Os tapas lhe doíam corpo e alma. O corpo clamava a satisfação por um prazer quase proibido, mas a mente não aceitava sua vontade contrariada. Gemia com prazer, raiva, angustia. Grita entre soluços ao sentir o orgasmo. Força o quadril nos dedos que a penetram e machucam. Assim era o sexo entre elas. Animal, satisfatório e superficial. Extenuada, Joyce se deixa cair sobre a cama de lado. Juliana sorri satisfeita e, lançando lhe um olhar arrogante, ergue-se caminhando em direção ao banheiro. Jô a observa. Uma tristeza toma conta de si. Essa era a vida que escolhera? Estava realmente feliz? Pensa no marido, nos filhos... ' Mariana...'.
Sem forças a mente volta ao passado, nas duas adolescentes que se tocam descobrindo juntas a satisfação de ' fazer amor'. Suavemente relembra Lisa, o rosto iluminado pelo seu primeiro orgasmo. O coração se preenche.
Suspira tristemente. De repente a vida não lhe parecia mais tão perfeita.

Joyce suspira ao entrar dentro de casa. O silencio era quase opressivo. Olha o relógio sobre o sofá da sala. Duas horas da manhã. Já previa Carlos reclamar da demora. Achar absurdo uma mãe de família voltar de madrugada. ' Aja paciência'.
Caminha em direção ao quarto evitando fazer barulho. Para frente ao quarto de Mariana. Devagar abre a porta e surpresa vê a cama arrumada. Angustiada sente o ar lhe faltar. Onde estava Mariana?
Sem pensar abre a porta do quarto de casal quase aos gritos.
- Carlos, cadê Mariana??
- Carlos acorda assustado.
- Que? Que houve? Jó? Endoidou mulher? - Olha o relógio assustado – Isso são horas de chegar?
- Não interessa?? Cadê Mariana??
- E eu que tenho que dar conta dela??? Se você fosse uma mãe mais presente saberia onde SUA filha está.
- Ah vai pra merda! Você é uma ameba mesmo! - Jô sai batendo a porta.
Carlos indignado levanta e só com a calça de pijama vai atrás dela.
- Vai a merda você, Joyce. você chega tarde e exige saber onde anda sua filha?
- Você quer que eu de conta sozinha das crianças? - Pois é obrigação sua saber com quem e por onde eles andam. Você nem se interessa né! Ela sumiu e não está nem aí.
- Me poupe Jô. Ela tem dezoito anos. Deve estar se divertindo com os amigos. Mas e você? Se divertia também?
- Isso não é hora de me encher o saco Carlos! Quero saber onde Mariana está. Se não pode ajudar, desapareça de minha frente.
- Quer saber! Tô de saco cheio de você. Resolva sozinha seus problemas. - Carlos vira as costas a esposa e volta para o quarto batendo a porta.
Ignorando o rompante nervoso do marido, Joyce, angustiada, esfrega a testa com a mão 'Cadê você Mariana?' Abre a bolsa e pega o celular sem saber exatamente que atitude tomar. Observa o visor e surpreendida vê uma mensagem da filha a piscar.

'Mãe, resolvi dormir na madrinha. Estava com saudades deles. Não se preocupe comigo.
Mari'


Joyce sente-se tonta e segura o batente da porta. Suspira tensa e após alguns minutos volta o olhar para porta do quarto de casal. Sentindo-se sem opção, caminha em direção à mesma e a abre ainda tensa.
- Carlos, me desculpe. Você tem razão.
Carlos ergue a cabeça do travesseiro observando a esposa que se encontrava numa postura de 'quase' submissão. Põe o braço sobre a testa.
- Tudo bem.
- Eu sei que não está tudo bem.- Joyce senta-se na cama e tira o braço do marido do rosto.
- Me desculpe, Você está certo. Eu não deveria ter chegado tão tarde. É que o encontro estava tão bom e havia tempo que não via as meninas. Vou evitar fazer isso novamente ok.
Carlos observa a esposa sério. Ele não era bobo. Sabia que havia mais por trás das palavras e atitudes da esposa. Desiludido faz um gesto afirmativo com a cabeça. Aonde fora parar os dois jovens apaixonados do passado? Ergue a mão e toca o rosto da esposa. Joyce era uma mulher linda. Mas algo morrera. Cansara de contar as vezes que a traía. Na verdade, buscava fora do casamento a satisfação que faltava neste.
Joyce percebe o olhar distante do marido. Desanimada se ergue da cama e afasta-se em direção ao guarda-roupa. Tira o vestido de costas para o marido sentindo-se estranhamente inibida. Este observa a postura intimidada da esposa. Um suave sentimento de ternura assola seu coração. 'Meu Deus será que valia mesmo a pena manter um casamento por amizade, aparências?'
Observa, desta vez analisador, o corpo da esposa. ' Linda...'
Um sentimento de posse começa a substituir a ternura antes sentida. Que diabos... ela era sua esposa. Devia-lhe satisfação e prazer. A luxuria se faz presente em seu olhar. Ele era homem. E ela sua mulher. Ergue-se e caminha em direção a esposa erguendo-a pela cintura. Joyce solta um grito de surpresa ao ser agarrada por trás. Sem atitude se vê jogada sobre a cama.
- Carlos...
- Você me deve isso Jô. Você me deve isso.
Jô observa o marido tirar a calça do pijama. Estava duro, firme. Carlos sobe em cima, dela abre-lhe as pernas e a penetra. Movimentando-se quase violentamente segura-lhe os seios possessivo. O suor começa a escorrer por sua pele a medida que seus movimentos se tornam mais frenéticos. Submissa a esposa se submete a seu domínio. Perto do orgasmo Carlos lhe segura o queixo e a faz encara-lo.
- Aprenda Jô... - e dá-lhe uma estocada. - Eu sou seu marido. E eu faço o que quiser de você. - Novamente a penetra fundo – Você me … deve isso.
Joyce vê o rosto do marido se transformar com o orgasmo. Não sente nada. Nem desejo, nem prazer, nem satisfação. Após o orgasmo, Carlos sai de cima dela, se vira para o lado e logo adormece.
E o resto da noite Jô permanece acordada, pensativa... nua e vulnerável.
 

Marcos boceja preguiçoso. Toma um gole de café e faz uma careta. Detestava café dormido. 'Vontade de acordar Paula para fazer um café fresquinho'. Toma um novo gole do café e observa o dia amanhecer lentamente pela janela. Olha o relógio sobre a geladeira. Cinco horas da manhã. Passa a mão pelo cabelo já ralo e espreguiça com um bocejo alto. Levanta-se põe a xícara sobre a pia e abre a porta da cozinha. Caminha pelo jardim e num gesto quase automático abre o portão para ver melhor a rua.
- Ah!!!
Assustado, pula para trás para não ser atingido pela mulher sentada a beirada do portão. Esta se ergue também assustada para logo depois soltar um grito de felicidade.
- Paizinho!!
Marcos pisca várias vezes na certeza de ainda estar dormindo.
- Lisa? Lisa é você??? - Enlouquecido a abraça apertado rodando-a pelo passeio – LISA!!!
Os dois permanecem unidos no abraço por vários minutos. Logo Marcos a segura pelo rosto.
- Mas veja a minha menina! Que saudades! Você está com a pele bronzeada! Veio para ficar? Meu Deus, não quero nem imaginar a reação de sua mãe!!! Quando chegou! Você nos mata ainda de preocupação menina! Nossa senhora, nem acredito que está aqui!! - E a abraça novamente
- Pai... calma... pai... pai... pai... Você está me sufocando!! Pai!! - Lisa se desprende, sorrindo emocionada, dos braços de Marcos. - Eu voltei. - Olha o pai séria. - Voltei para ficar.
Paula acorda com o aroma delicioso de café fresco vindo da cozinha. ' Mentira! Marcos fez café?'
Ergue da cama põe um roupão e caminha desconfiada em direção à cozinha. Para surpresa, ao ouvir vozes animadas vindo da mesma. Mas com quem Marcos conversava a esta hora da manhã? Apura a audição e , levando a mão a boca, sente os olhos encherem de lágrimas. Era a voz de …
- Lisa... é você filha? A voz sai quase um sussurro, tamanha a emoção contida. Mas é suficiente.
Lisa interrompe uma frase ao meio e a olha com os olhos repletos de amor. Ergue-se quase cambaleante, ficando frente a frente com a mãe
- Mãe.. minha mãe..
As duas se abraçam sem mais palavras. Marcos observa feliz o reencontro de mãe e filha. E após vários minutos, aguardando impaciente as duas se desprenderem do longo abraço, levanta-se e une-se a elas esfuziante.
- Adoro abraço coletivo – diz rindo, logo sendo acompanhado pelas duas mulheres amadas.
O tempo parecia passar rápido demais. Paula, ansiosa, queria saber mais e mais da filha. Lisa rindo respondia pacientemente às perguntas da mãe. Esta, a cada caso contado pela filha, sentia os olhos se encherem de lágrimas. Lisa estava tão... viva. Tao... iluminada. Seu olhar estava firme e direto. O cabelo mais claro, cumprido e queimado de sol. O sorriso, suave, voltara a ser o mesmo que tantas vezes vira em suas feições antes adolescentes. Só que agora num rosto de mulher, forte, firme, com linhas suaves a lhe definir e enobrecer as feições. Lisa, expressivamente mostrava nas marcas da vida, todas as alegrias e tristezas que passara. Mas também toda a determinação de uma mulher que estava em paz consigo mesma e com a vida.
- Mãe, pai... estou cansada. A viagem foi longa. Se importam se eu tomar um banho e descansar um pouco?
- Claro que não Lisa! Vou arrumar seu quarto agora! - Paula para no caminho do quarto – Ah... Lisa... seu quarto... está ocupado.
- Sério? Já me substituíram né! - Lisa sorri brincando. - Sem problema mãe Posso usar outro.
- Não filha. Ele ainda é seu, mas... bom, Mari chegou tarde da noite ontem e pediu se podia dormir nele... eu...
- Mari? Minha Mari está aqui? - Lisa sente o coração se aquecer.
- Sim filha. Ela não chegou muito bem ontem, mas não quis falar nada. Só foi para o quarto dormir.
Lisa a olha um pouco preocupada.
- Tudo bem mãe. Bom... eu... bom, então vou tomar banho em meu quarto mesmo... sorri feliz. - Meu Deus... mesmo depois de tantos anos ainda falo ' meu quarto'.
- Mas ele é seu Lisa... sempre seu.
A loira caminha em direção ao quarto. Segura a maçaneta emocionada e se vira sorrindo para os pais.
- É bom estar em casa.
Sorridente Lisa abre a porta do quarto delicadamente. Ia ver sua menina, seu anjinho. Se vira emocionada para a cama, ansiosa para acordar e abraçar a jovem.
- Mari? - a voz sai como um sussurro. Sem acreditar, Lisa lentamente se aproxima da cama.
- Mari? Diz baixinho, quase para si mesma em choque. Olha incrédula a bela mulher que dorme de bruços em sua cama. Esta não podia ser Mariana! Morena clara, cabelos longos a lhe cobrir parcialmente o rosto, a jovem mulher ressona baixinho com os lábios entreabertos. O corpo descoberto da cintura para cima deixa ver as costas alvas e perfeitas. Trêmula, sem saber bem o porquê, Lisa aproxima-se da cama e ajoelha-se perto do rosto adormecido. Delicadamente afasta uma mecha do longo cabelo negro e olha maravilhada a beleza facial que vislumbra. Percorre deslumbrada o olhar pelo corpo feminino.
- Meu Deus... Mari... - volta o olhar ao belo rosto e instintivamente se afasta da cama assustada.
Não esperava o impacto do olhos verdes sobre si. Mariana estava acordada.

"Felicidade é ter algo o que fazer, ter algo que amar e algo que esperar".
(Aristóteles)